
Pais com formação
A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa propõe-se criar “cursos” de formação de candidatos a pais adoptivos. “De modo a conhecerem a realidade da adopção: o tipo de crianças adoptáveis, as instituições onde estas vivem, os cuidados a terem nos casos mais complicados”, explica Alexandra Roçadas. O objectivo é dar qualidade ao processo de adopção e ultrapassar os principais problemas apresentados pelos candidatos: a falta de comunicação e o longo tempo de espera.
Fonte: Revista LuxWoman
Desculpem lá, mas acho que não percebi bem a intenção da Santa Casa, por muito louvável que seja.
Se a existência dos ditos cursos servirem apenas para conhecermos «a realidade da adopção: o tipo de crianças adoptáveis, as instituições onde estas vivem, os cuidados a terem nos casos mais complicados», não era preferível que à data da inscrição houvesse uma conversa (in)formal a explicar tudo isto? Os pais candidatos a adoptantes agradeciam e deixar-se-iam de sentir tão perdidos quando lá vão a 1ª vez fazer APENAS uma "espécie" de requerimento...
Em 2º lugar,se os principais problemas apresentados pelos candidatos são «a falta de comunicação e o longo tempo de espera», será que é com cursos de formação que resolvemos os problemas?... Não me parece. Eu quero é perceber porque é que o tempo de espera é tão longo, quero que me telefonem todos os meses (sim! todos os meses)a mimarem-me, a dizerem-me como está o meu processo, a perguntarem-me como estou... Porque devia ser do seu interesse saberem como estou! Eu sei que é o meu coração a falar, mas é o que penso. A qualidade do processo de adopção apregoada no artigo, devia também passar por aqui. Lamento muito. Não gosto que esteja a ser tratada como uma menina caprichosa cada vez que telefono para a SS, «não telefone até ao mês xis, não vale a pena, não temos nada para lhe dizer.» Eu gostava era que o ESTADO percebesse que não me está a fazer favor nenhum quando perde tempo (literalmente) comigo e com "a minha filha", eu é que, no mínimo, também estou a fazer um favor ao Estado porque quero uma criança que não é de ninguém... e que o Estado deixará de sustentar. Se não têm que dar que fazer aos técnicos, ponham-nos a agilizar os processos para não estarmos 3 ou 4 anos à espera... Mas se querem mesmo fazer formação, façam-na, mas olhem também para aqueles pais e mães que já têm o seu bebé em casa e que depois são (literalmente, outra vez) abandonados. Porque é que o Estado declina tão radicalmente a sua responsbilidade e deixa de estar interessado no percurso daqueles que já foram seus filhos? Há pais que no período de pós adopção continuam a precisar de ajuda.
Perdoem-me ter-me alongado, mas hoje não me contive.
Benedita
Falta dizer que os Pais-candidatos conhecem a realidade da adopção em Portugal... infelizmente.
Benedita
Benedita: Este comentário é só para dizer que faço minhas as tuas palavras, pois não podia estar mais de acordo com o teu comentário, principalmente quando dizes que o interesse devia ser deles ( do Estado e consequentemente da SS ) porque a eles compete em primeiro lugar a preocupação de dar um "futuro" a certas crianças, com uma familia que os ame....
Afixado por: Isabel M. em outubro 19, 2003 07:03 PMOlá. Bom eu não sei se mando este mail para o sitio certo, mas se o faço é porque vejo que vocês que aqui falaram parecem saber muito mais sobre este assunto que é a adopção do que eu. Na verdade ainda me considero muito desconhecedora deste assunto que muitas vezes me passava completamente ao lado e apenas quando a minha professora de filosofia nos pediu para efectuar um trabalho de grupo sobre um problema do mundo contemporâneo(frequento o 11ºano) me deparei com ele por conversação com as minhas amigas. Achamos que a adopção seria um bom tema, até porque não há muita gente a preocupar-se com ele, excepto aqueles por quem passam por isto, no entanto há sempre excepções. Face a isto o que eu queria propor era que me falassem um pouco da adopção, e de um problema que considerassem mesmo importante falar dele e alertar as pessoas para faze-las pensar e contribuir para a sua resolução, d esperiencias,etc. Tenho a certeza que entenderei melhor assim visto que mesmo pesquizando o assunto é muito vasto.Claro que depois de um problema em concreto tentarei saber mais. ( se concordarem com a minha proposta por favor escrevam-me para Deep_Tears@hotmail.com) Obrigada. Beijinhos
Afixado por: Maria João em janeiro 24, 2004 06:45 PMOlá Maria João,
Parabéns por teres escolhido este tema.
Poderás encontrar toda a informação que precisas entrando pela "porta da frente", pois pelo que me apercebi, acedeste apenas a um dos artigos que estão no Blog "Eu adoptei".
Entra em http://eu-adoptei.weblog.com.pt/ e acede a todos os artigos que estão em "ultimas entradas". Começa a ler debaixo para cima, pois assim terás uma melhor visão do desenvolvimento da informação.
Bom trabalho.
PauloS
Concordou com todos relativamente aos comentários dados. No entanto gostaria de lembrar aqueles que como eu aguardam já à algum tempo (para nós é muito) para adoptarem que qualquer informação é bom. Seja ela qual for, no nosso pais não há informação suficiente, para nos esclarecer. Louvo a iniciativa.
Á Isabel e Benedita
As vossas palavras sobre este assunto em Outubro de 2003 são mais do que minhas também. A quando da nossa 1ªentrevista com a assistente social, uma das coisas que me chocou foi dizerem-nos que estavam ali para arranjarem uns pais para uma criança e não para arranjarem uma criança para nós. Poderiam porventura encontrar uns pais para uma criança se não houvesse pais à procura de um filho? Dão-nos na realidade a entender que nos estão a fazer um grande favor... É muito triste.