janeiro 04, 2004

Debate – Agências de adopção

A actual falta de resposta do sistema (Segurança Social e Tribunais), leva os potenciais pais adoptantes a desesperarem derivado das longas esperas e da falta de humanização de um longo processo desgastante e cheio de angústias, ao qual o estado para alem da nova lei, ainda não apresentou soluções para a melhoria de eficácia de resposta aos inúmeros processos de adopção e para a rápida “entrega” de centenas de crianças que se encontram nas instituições sem uma família para lhes dar amor.

O desespero de alguns pais, poderá levá-los a optarem por outros caminhos que não os convencionais.

Noutros países, as agências de adopção (controladas pelo estado) têm um papel activo em todo o processo por forma a proporcionarem apoio, aconselhamento, e rapidez em todas as fases.

O trabalho das agências de adopção poderá inclusivamente ter a variante de ajudar na adopção legal de crianças estrangeiras.

Poderá a criação dessas agências de adopção trazer algum valor acrescentado ao processo, sem transformar a adopção num mero negócio legal que aproveitaria as fragilidades dos pais adoptantes?

Ou por outro lado seriam muito úteis para colmatar a falta de técnicos da Segurança Social, e facilitar todos os aspectos que actualmente originam que os pais se sintam completamente abandonados, pré e pós adopção?

Gostaria de propor este tema para debate, a todos os participantes deste Blog.

Está ainda a decorrer uma sondagem neste blog (coluna da direita), que não servindo para influenciar no debate serve para aferir do interesse do assunto.

PauloS

Publicado por PauloS em janeiro 4, 2004 10:41 AM
Comentários

Carta branca às agências de adopção em Portugal?

Sim, sou a favor da criação de agências de adopção em Portugal, sempre sobre a alçada de um organismo oficial que regulamente e avalie em continuidade a sua actuação. Isto porque por certo se levantaram incómodas dúvidas, a quem já se tenha detido a navegar sobre esta matéria em sites americanos.
Parece que há uma nova lei tendente a facilitar o processo de adopção em Portugal!?? Bem,..infelizmente, sobre esta matéria não me restam dúvidas, basta ler os inúmeros depoimentos aqui postados pelos candidatos a pais de adopção, para concluir pela parda eminência do processo de adopção. Informações institucionais sobre o processo de adopção em Portugal, com informação útil e mínimamente precisa para quem quer adoptar é uma miragem, (porquê???). No fim, fica a estranha sensação de que estivemos a pesquisar sobre alguma matéria menos lícita, dada a incompreensível falta de informação.
Nas minhas pesquisas,encontrei o site www.theadoptionguide.com/ncfa, um site oficial dos Estados Unidos com informação bastante util sobre credenciação de agências de adopção e toda uma série de recomendações uteis a quem quer adoptar. Quanto à informação proporcionada por cada uma das agências nos respectivos sites, é ler de olhos bem abertos, e quem sabe tentar trocar informações em chats/ foruns da especialidade com quem já tenha experienciado aqueles serviços.
No que me toca, ainda só cheguei aos sites das agências, ficando a aguardar que algum resistente cibernauta, se proponha a chegar às falas com alguém, e que depois aqui venha postar os resultados da sua pesquisa.

Cordialmente,

Paula

Afixado por: Paula em janeiro 6, 2004 12:26 AM

Paulo:
Será que deste blog não poderá resultar um movimento que exija que sejam tornados públicos os resultados de um "rastreio" a nível nacional de todas as crianças institucionalizadas? Insisto na ideia de que há muitas crianças esquecidas "por aí" em instituições em que a SS mal "entra". E que essas crianças dificilmente serão encaminhadas para a adopção, mesmo que essa seja a melhor solução para elas.
Se esses dados forem efectivamente recolhidos e tornados públicos serão, concerteza, um argumento a favor do estabelecimento de agências de adopção.
Um bom ano para si e obrigado pelo seu empenhamento.
AnaS

Afixado por: AnaS em janeiro 6, 2004 05:26 PM

PauloS:

A propósito do tema que lançou -agências de adopção, sabe se existem quaisquer tipo de restrições em a partir de Portugal se recorrer a serviços de adopção por exemplo dos E.U.A?Tenho pesquisado, mas não consegui ficar esclarecida.

Cordialmente

Paula

Afixado por: Paula em janeiro 7, 2004 10:52 PM

Gostaria de adoptar, de preferência crianças estrangeiras, para no futuro não vir a ter problemas com os pais de sangue.

Será que me podem informar? Agradeço a resposta nesta página!

Obrigada

Afixado por: Margarida em janeiro 29, 2004 02:33 AM

Margarida:

sou jornalista do PÚBLICO e gostava de falar melhor consigo sobre essa sua intenção de adoptar crianças estrangeiras. Se estiver disponível, por favor responda para o meu mail.

Cumprimentos,

Nelson Marques

Afixado por: Nelson em fevereiro 2, 2004 02:58 PM

olá a todos. também estou a pensar seguir esta opção. alguém pode ajudar? será que é legal? não poderemos estar a estimular os mercados "negros" de adopção? E quanto à adopção em portugal, é verdade que se adopta mais rapidamente se se pretender uma criança de cor?

Afixado por: Isabel em fevereiro 26, 2004 04:39 PM

olá
estou seriamente a pensar em adoptar uma criança. Ainda estou naquela fase de absorção de informação sobre a adopção e não sei muito bem onde me dirigir.Não me importo de recorrer à adopção internacional. Procuro informação sobre o assunto.
Cumprimentos,
Maria

Afixado por: maria em maio 14, 2004 03:46 PM

Olá Maria! Parabéns pela decisão. A única coisa que tens a fazer neste momento é dirigires-te à Seg. Social Regional do teu distrito (ou no caso de morares em Lisboa, também poderás ir à Santa Casa). Quanto à adopção internacional, ... tens muito que esperar ainda!..., porque primeiro tens de te inscrever na SS, depois esperares que se conclua o teu processo de avaliação, depois, bem..., algum... bastante ... tempo depois (infelizmente), o teu processo é reencaminhado para a adopção internacional. Seja como for aqui tens o contacto da adopç internacional:21 7920100. Mas é prematuro, como digo elas só falam "a sério" contigo quando tiveres o processo de avaliação terminado. Um beijinho e boa sorte.

Afixado por: Benedita em maio 14, 2004 05:30 PM

Este problema da falta de organizaçao para adopçoes internacionais em Portugal è muito grave.
Eu vivo na Italia, sou Perita do Tribunal de Veneza e por algumas vezes ajudei casais portugueses a adoptar crianças no Brasil.
Visto que Portugal assinou a Conevn. da Haya, porque nao coloca em atuaçao aquilo pelo qual se comprometeu?
Existem muitas crianças esperando amor e muitos "pais" que desejam uma criança para dar amor. Isto nao è um pecado, nao è vardade!

Afixado por: Dra. Cristina em junho 13, 2004 10:53 PM

Olá!
Parabéns pelo único espaço em Portugal, onde o assunto da "Adopção" é debatido e esclarecedor!
A minha dúvida prende-se com o tão falado "Processo de Avaliação". Em que consiste? Qunato tempo leva normalmente este processo?

Muito obrigado!
Fico a aguardar uma resposta!

Afixado por: cristms em junho 29, 2004 04:12 PM

Olá.

O "processo de avaliação" é o processo que a Segurança social utiliza para avaliar se o candidato, ou os candidatos no caso de ser um casal, cumpre com os requisitos mínimos para poder adoptar uma criança em Portugal.

O que a antiga lei dizia era que este processo não deveria demorar mais que seis meses desde o momento da candidatura até ao resultado final da avaliação. Não sei o que diz a actual.

A norma é que esses prazos nunca são cumpridos, no meu caso pessoal, passado seis meses só tinha acontecido uma entrevista, e por norma são pelo menos três. Eu não me consigo lembrar com exactidão mas no meu caso foram quase dois anos. E sempre fiquei com a sensação que as coisas quando avançavam era porque eu chateava.

O processo em si é iniciado com a apresentação da candidatura na segurança social da área de residência dos candidatos a adoptantes. Este processo é recebido e avaliado pelos técnicos responsáveis, (assistentes sociais e psicólogos) os candidatos são chamados para varias entrevistas com estes técnicos, sendo que uma das entrevistas é uma visita domiciliaria de modo a que se avaliem as condições sociais e de habitação.

Depois de tudo isto, de muita paciência e alguma perseverança, caso a Segurança Social entenda que os candidatos estão aptos, passa-se à fase seguinte que é a espera pela criança.

Espero ter esclarecido a sua duvida.

Jorge

Afixado por: Jorge em junho 29, 2004 05:05 PM

estou a procurar adoptar em portugal o processo esta coise acabado e nao encontro o e-mail da santa casa e nao consigo entrar em relaxao com qualquer site e-mail me permetindo de commeçar as demarchas em portugal alguem me possa ajudar
obrigado

Afixado por: chris em julho 6, 2004 11:13 PM

Olá. A adopção sempre foi um tema que me interessou. Pretendo adoptar (não já), mas entretanto vou fazer a minha tese da licenciatura de Sociologia sobre a «Adopção na perspectiva das crianças institucionalizadas»: Quero saber se alguém me pode ajudar na obtenção de uma listagem (com moradas e/ou telefones, nº crianças a cargo, etc)das instituições que acolhem crianças para adopção. Sei que (há já bastante tempo) encontrei um site com estas informações todas, mas na altura não guardei o endereço e nunca mais o consegui encontrar. Obrigado desde já pela atenção.

Afixado por: SandraMC em julho 15, 2004 04:52 PM

Olá novamente!

Gostaria de saber, caso me consigam informar, se o processo de adopção pode iniciar-se antes dos 30 anos, embora a adopção "efectiva" eu saiba que legalmente so pode ocorrer aos 30 anos. Se sim, qual a vantagem? O que é aconselhável?

Muito obrigado!

Afixado por: cristms em julho 20, 2004 10:02 AM

Seria possível alguem me responder à minha dúvida? Era muito importante para mim ter este feedback.

Muito obrigado!

Afixado por: cristms em setembro 29, 2004 01:27 AM

penso que para obter uma resposta mais fiável seja telefonar para a Segurança Social do seu distrito, nomeadamente para o serviço de adopção. elas melhor que ninguém saberão dar essa resposta...
à primeira vista parece-me que não, mas é apenas a minha sensibilidade a falar...
boa sorte

Afixado por: turandot em setembro 29, 2004 09:45 AM

Olá Cristms!

A idade não é problema nenhum na adopção! só depende do seu estado civil! Se for casada há pelo menos 4 anos, independentemente de ter 30 anos ou não, pode inscrever-se para adoptar. Há no entanto SS que aceitam inscrições antes dos 4 anos de casados, uma vez que o processo é muito moroso.
Se for não-casada tem mesmo que esperar pelos 30.

Seja como for, depreendo que ainda não os tem... o que é bom, muito bom. Eu só me lembrei disto aos 37 e foi um disparate não ter pensado na adopção há mais tempo.

Beijinhos e boa sorte. Mas siga o conselho da T., vá à SS da sua residência, lá dar-lhe-ão todas as informações e tira todas as dúvidas.

Não quer vir ao nosso encontro de Setúbal? É dia 16. Para pais adoptivos e candidatos à adopção (e também podem comparecer simpatizantes hehe). Inscreva-se e veja o programa que está disponível aqui no blog.

Boa sorte.

Afixado por: Benedita em setembro 29, 2004 10:49 AM

Saiu hoje na "Focus" umas entrevista sobre adopção.

Afixado por: Armando Tavares em setembro 29, 2004 10:57 PM

Desde que vi um documentário na TV sobre os "corredores da morte" das crianças chinesas (já lá vão uns anos) que me interessei por adoptar uma menina nesta situação.
Agora que tenho 36 anos e tenho tido sérias dificuldades em engravidar acho que é um sinal para avançar.
Alguém sabe por onde começar?
Desejo a todos os super Pais de adopção as maiores felicidades!

Afixado por: Lucia em outubro 1, 2004 02:21 PM

Olá Lúcia, bem vinda.

Pelo que entendo da sua mensagem, nunca se inscreveu sequer numa Segurança Social, é isso? Se for, é a primeira coisa a fazer!, antes, bem antes de pensar se quer a sua criança de etnia chinesa, cor de chocolate ou às risquinhas...hehe!

Se tudo correr bem serão avaliados em 6 meses como prevê a lei (eu demorei um ano...); depois de vos ser enviada a declaração de aptidão em como serão "bons" pais, toca a arranjar nova documentação : atestados de tudo e mais alguma coisa, registo criminal, certidão de casamento... (estou nesta fase); depois disto tudo, o processo é reencaminhado para a Direcção Geral em Lisboa que depois o enviará para Macau. Portugal não tem convenção com a China, pelo que adoptarem legalmente (isto é, através de uma qualquer Segurança Social portuguesa) uma menina da China é impossível. Resta-vos Macau... resta-me Macau...

Quando estamos no início, parece-nos muito importante a decisão e a escolha de uma etnia, afinal é a nossa filha que está em questão... mas acreditem, é um engano! Primeiro têm de se inscrever (é o mais importante), e depois gastar todas as vossas energias a querer que os procedimentos decorram segundo os trâmites da lei!! DEpois, bom, têm muito tempo ainda para decidirem a etnia da vossa menina!!

Eu espero ter a minha Li em casa daqui a um ano, se tudo correr bem... Escrevam se quiserem, o email está disponível.

Boa sorte!!

Afixado por: Benedita em outubro 1, 2004 09:17 PM

Lúcia, de facto Portugal não tem convénio com a China; com a China o que acontece com outros países é que eles trabalham com agências de adopção, e estas agências chegam a levar crinças às cem de uma vez só, para os países com os quais a China tem acordos. Ainda não entendi porque em Portugal não existem agências de adopção, seria tudo bem mais fácil, ágil e eficiente. Tenho a certeza que grande parte dos casais optaria por esta via. Este tipo de agências normalmente funcionam de acordo com as regras impostas pelos respectivos governos, tudo bem regulamentado. Assim, resta-lhe mesmo Macau, o que também não é fácil, por várias razões.

Afixado por: Maria van Dijk em outubro 3, 2004 03:50 PM

Tenho 47 anos, não sou casada mas tenho um namorado e gostaria de saber se há impedimento para adoptar uma criança nestas condições

Afixado por: Maria em novembro 15, 2004 04:01 PM

Não, não há. Mas é mais fácil se estiver casada, ou seja, de um modo geral, as SS dão prioridade a casais, casados no papel e tudo. Mas quando se for inscrever na SS da sua residência, diga que vive junto com o seu namorado há algum tempo. Ser casada no papel ou viver junto, deveria ser a mesma coisa, mas é a sociedade em que vivemos, o país em que vivemos, por isso......

Afixado por: Maria van Dijk em novembro 15, 2004 09:14 PM

Voltando ao tema das "agências de adopção".....
De facto, há algo que me preocupa na constituição, se assim lhe poderemos chamar, de "agências de adopção". Começando pela sua designação social.
A ideia de existir uma "agência", que se tem de constituir, no registo nacional de pessoas colectivas, para que assim fiquem dotadas de personalidade juridica, a meu vêr, dá um certo "ar" de "infanto-mercantilismo".

A existência de "agências de adopção", iria, quanto a mim, tornar o processo de adopção muito menos transparente do que já o é.

A solução não passa, a meu vêr, pela criação destas "lojas" de crianças.....

Passa sim por muitas alterações que são urgentes e que não são assumidas por ninguém.

Mas, algo está diferente....É o que se diz. "Agora um processo de adopção só dura 6 meses"!!!!!

Pois, mas antes destes 6 meses, há crianças que já estão em sofimento há mais tempo.

Mas, voltando à Lei.

É certo que esta mudou....E o resto?

A Segurança Social matém o seu funcionamento arcaico.

O "Nacional Porreirismo" que se instalou neste nosso belo país à beira mar plantado, entre as técnicas da segurança social e os muitos Centros de Acolhimento, não se "desinstalou", nem se vai "desinstalar" - "Se tu não me deres muito trabalho eu também não te dou e, bora lá beber uma bica e falar da familia dos teus meninos"

A quase inexistência de juristas nas equipas de adopção e nas EMAT é uma realidade....

As CPCJ's continuam a não estar sob a tutela do Ministério da Justiça, e vão continuar a ser durante muito tempo, um serviço "fantasma" financiado pelas autarquias e as festas de natal com prendinhas aos pobrezinhos continua a render uns votos.

A figura do Ministério Público nas CPCJ's só existe na lei que as regula.

Desde a entrada em vigor da lei n.º 147/99 de 1 de Setembro (Lei de protecção de crianças e jovens) que aguardamos a sua regulamentação.

Técnicos a tempo inteiro nas CPCJ's também é um sonho. Há é muita funcionária pública que se vai juntando, duas vezes por mês para deliberarem, (entre bolos, chás e cafés), a aplicação das medidas "que melhor servem os interesses dos jovens e das crianças".

"tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto é fado", tudo isto é uma herança de muitos anos da igreja Católica.
Enquanto não existir uma reforma cultural, a lei não pode mudar muito....a protecção excesiva ao instituto "família" é um fardo muito grande que o Juiz, o Advogado, o Jurista tem de carregar.
O nosso legislador protege, e muito, a família, em nome de uma Igreja que tutela a tão falada "Casa do Gaiato".
Sem esta grande reforma social, não há lei de adopção que seja eficaz.

A solução não passará, certamente (e eu espero bem que não), pela "privatização" da adopção em Portugal.

É algo que nos compete a todos. É uma realidade que poucos conhecem. Temos de sair dos "blog's", temos de "sair para a rua e gritar". Temos de dizer a todos que os Centros de Acolhimento Temporários existem. Que estão cheios de crianças que têm direito a ter uma família, que têm direito a ser felizes.
Temos de falar e muito das crianças que são "abandonadas" pelo Estado e, temos de falar sempre, não é só no Natal com as campanhas infelizes de "leve uma para casa para passar o Natal em família, porque se ninguém as levar, temos de ter técnicos a trabalhar na noite de 24 para 25 e na Passagem de ano".....

Ana Antunes

Afixado por: Ana Antunes em dezembro 1, 2004 01:28 AM

Acabo de chegar a estes 'meandros' e começo a ficar seriamente preocupado com o que penso estar a aperceber-me... pelo andar da carruagem não irei sair daqui tão cedo. De início julguei que a adopção internacional de uma criança era tarefa fácil; ao consultar meia dúzia de sites sobre adopção internacional (a maioria dos EUA) fica-se com a ideia de que, com tantas crianças para adopção, bastaria entrar em contacto com ‘uma qualquer entidade’ para accionar o processo. A primeira questão que se coloca é: ‘mas que entidade é essa?’; tem, então, início processo de investigação que poderá passar, por exemplo, pelo envio de e-mails a essas tais agências norte americanas de adopção (apenas tentei contactar uma dessas entidades, mas até há data não obtive resposta). Seguem-se os contactos telefónicos com os consulados dos países alvo... o resultado é devastador, sobretudo tratando-se de países do leste europeu: não há convénios com o estado português, a nossa lei não garante a segurança das crianças, etc. etc. No caso da Roménia, por exemplo, fiquei a saber que esse país fechou as portas à adopção internacional, vá lá perceber-se porquê. Depois, o contacto com a entidade do Estado Português que tutela as adopções internacionais (trata-se de um serviço do Ministério da Solidariedade, tel.: 217920100)... o resultado é verdadeiramente desanimador: começam por atribuir a culpa da impossibilidade dos cidadãos portugueses adoptarem crianças nesses países à deficiente e inadequada legislação desses países; confrontados com o sucesso da vizinha Espanha, mudam de estratégia e lá admitem que Portugal é um país de poucos recursos e pouco capacidade negocial. Rematam, contudo, que Portugal foi um dos subscritores da Convenção de Haia (1993) – o texto desta Convenção pode ser consultado em http://hcch.e-vision.nl/index_en.php?act=conventions.text&cid=69 ; desta afirmação ocorre a seguinte questão: ‘se Portugal é subscritor desta Convenção, logo deverá ser possível proceder à adopção de crianças provenientes de países igualmente subscritores’... nada mais falacioso: a resposta que nos é dada a esta interpelação é a de que ser subscritor não implica que os princípios decorrentes dessa Convenção sejam postos em prática; fiquei a saber, ainda, que Portugal apenas os pôs em prática no ano passado (se é que os pês mesmo). Em suma, o que me foi transmitido após muitas perguntas, é que apenas tem sido possível aos cidadãos portugueses adoptar crianças do Brasil (e só de alguns estados) e de Cabo Verde. Posto isto, apraz-me perguntar: ‘para que serve esse tal Serviço de Adopções Internacionais do Ministério da Solidariedade?’

Afixado por: Jose S em dezembro 1, 2004 08:49 PM

Olá José S,

ao lê-lo, por momentos julguei estar a lêr um qualquer texto de Kafca!
De facto, há coisas em Portugal que não são de fácil compreensão para nós, uns simples mortais....só alguns iluminados têm capacidade para tanto!
Agora, brincando um pouco com a situação e, não querendo, contudo, ferir alguns dos "subscritores" deste blog, julgo que o Serviço de Adopções Internacionais do Ministério da Solidariedade, serve exactamente para o que servem as CPCJ's. Ou seja, não são mais do que um local de convivio e de ocupação para um "bando" de senhoras que gosta de fazer bem aos pobrezinhos e de ajudar os coitaditos.....Este serviço, à imagem de muitos outros serviços e de muitos outros programas de apoio disto e daquilo, são quase como que centros de terapia de grupo, para senhoras que não sabem muito bem que fazer ao seu tempo livre e, como são pessoas muito "meigas" e "carinhosas" e, até têm uns bons amigos, são colocadas nestes serviços, "para fazerem bem ao próximo e ajudarem as pessoas"....Desculpe a brincadeirinha, mas, de facto a situação por si descrita é de gritos!!!!
Qualquer santo fica com os cabelos no ar!!!!
Tanta conversa para nada!!!!
E, caro José, gostei especialmente onde diz que a subscrição da Convenção de Haia não implica a aplicação dos principios decorrentes da mesma....De facto, anda uma pessoa a pagar impostos para alimentar esta máquina de gente imbecil!!!!

Senhor José, conte a sua estória a toda a gente, escreva uma carta ao Ministro (enquanto ele lá estiver) Fernando Negrão.....Por favor, não se fique pelo Blog.....conte essa sua "aventura no mundo das adopções" ao mundo das vidas reais!!!!!

Boa noite Sr. José e boa sorte.

Ana Antunes

Afixado por: Ana Antunes em dezembro 2, 2004 01:55 AM

ANA, está equivocada. o processo de adopção não tem duração de 6 meses. o que a lei diz é que os candidatos devem ser avaliados em 6 meses. isto é neste período a SS tem que dizer aos candidatos se estão ou não aptos a adoptar uma criança...EU ESTOU INSCRITA hÀ 8 MESES E NADA DE INICIAR O MEU PROPCESSO DE AVALIAÇÃO. Depois da avaliação segue-se uma pequena ou longa espera, depende...conheço casos que estão há 4 e 6 anos...neste caso a lei não avança com um período determinado para a atribuição da criança...

José,

bem-vindo ao clube de quem contactou os serviços centrais e não obteve grandes respostas...

CONCORDO QUE DEVE SER ABERTO UM DEBATE SÉRIO SOBRE A ADOPÇÃO EM PORTUGAL. A comunicação social tem que se deixar de apresentar o retrato da família feliz que adoptou apesar dos obstáculos que encontrou pelo caminho...

Afixado por: turandot em dezembro 2, 2004 09:29 AM

ANA, está equivocada. o processo de adopção não tem duração de 6 meses. o que a lei diz é que os candidatos devem ser avaliados em 6 meses. isto é neste período a SS tem que dizer aos candidatos se estão ou não aptos a adoptar uma criança...EU ESTOU INSCRITA hÀ 8 MESES E NADA DE INICIAR O MEU PROPCESSO DE AVALIAÇÃO. Depois da avaliação segue-se uma pequena ou longa espera, depende...conheço casos que estão há 4 e 6 anos...neste caso a lei não avança com um período determinado para a atribuição da criança...

José,

bem-vindo ao clube de quem contactou os serviços centrais e não obteve grandes respostas...

CONCORDO QUE DEVE SER ABERTO UM DEBATE SÉRIO SOBRE A ADOPÇÃO EM PORTUGAL. A comunicação social tem que se deixar de apresentar o retrato da família feliz que adoptou apesar dos obstáculos que encontrou pelo caminho...

Afixado por: turandot em dezembro 2, 2004 09:39 AM

Como referi na minha anterior intervenção, acabo de chegar a estes ‘meandros’ ou, por outras palavras, um ‘recém-chegado’. Por isso, talvez, ainda com algumas ilusões. Ao ler alguns comentários aqui expressos, fiquei com a seguinte impressão: estamos todos ‘no mesmo barco’, todos ‘aos papéis’. Apercebi-me, ainda, de um forte sentimento de impotência comum à maioria dos comentários e, nalguns casos mesmo – talvez os que já cá andam à mais tempo – a ironia, a amargura e o cepticismo. Ocorreu-me, entretanto, a seguinte questão: que nos impede a nós de nos associarmos efectivamente, isto é, de formar uma associação, um grupo de pressão. Se reunirmos as nossas energias – imagino não sejam poucas – talvez ganhemos algum poder de intervenção...

Afixado por: José S em dezembro 2, 2004 03:06 PM

José,
tens toda a razão quanto ao associarmos para pressionar. a organização do encontro que aconteceu em outubro era nessa lógica. não sei se esteve presente...mas desde aí não aconteceu mais nada. na verdade, tenho algumas ideias mas que não tenho tido tempo de as pôr no papel e partilhá-las convosco...

todavia já existe uma associação formada hà relativamente pouco tempo que já tem estatutos. amanhã haverá uma reunião da COLO em que estarei presente como convidada...esse convite já havia sido feito em outubro porque tive um papel relevante na organização do encontro...face ao que me disserem amanhã...irei ponderar o que fazer...
de qualquer modo fico com a indicação que o José quer fazer algo em prol dessa causa...
tenho ainda um projecto de constituição de um observatório on -line sobre a adopção. irei agora novamente pegar nele para o pôr on-line o mais depressa possível...irei solicitar conteúdos Às pessoas que os tiverem....

já agora aproveito para apelar à moça que está a fazer uma tese neste âmbito no ISCTE que me contacte...tinha ficado de me enviar uma lista bibliográfica....
até breve...

Afixado por: turandot em dezembro 2, 2004 03:31 PM

Olá Turandot,

Desculpa aproveitar este espaço para responder, mas tenho andado super atarefada com a tese. No máximo, no próximo fim de semana envio-te a lista que recolhi até à data. Tentarei ao máximo, indicar o(s) local(is) onde cada referência bibliográfica poderá ser encontrada.

Boa sorte para o projecto e bom trabalho.

Afixado por: Sandra Cunha em dezembro 2, 2004 10:15 PM

obrigada sandra...
desculpe por já me lembrar do seu nome... tenho vindo cá pouco...
Fico a aguardar. depois irei pedir-lhe que me envie um resumo do seu projecto de tese. um resumo de uma página para colocar na página...quando estiver pronta colocaremos os resultados. se lhe interessar claro...

Afixado por: turandot em dezembro 2, 2004 10:32 PM

obrigada sandra...
desculpe por já NÃO me lembrar do seu nome... tenho vindo cá pouco...
Fico a aguardar. depois irei pedir-lhe que me envie um resumo do seu projecto de tese. um resumo de uma página para colocar na página...quando estiver pronta colocaremos os resultados. se lhe interessar claro...

Afixado por: turandot em dezembro 2, 2004 10:34 PM

Cara Turandot,

Boa noite.
Muito obrigada por me relembrar que o processo de adopção não dura 6 meses.....Até poderia estar "equivocada" mas, repare, o que eu digo em concreto é:

"Mas, algo está diferente....É o que se diz. "Agora um processo de adopção só dura 6 meses"!!!!!"

Havia uma ponta de ironia na minha frase!
Ou, pelo menos essa era a minha intenção!

Bem sei que há casos de anos....infelizmente neste momento vivo um caso desses....

De qualquer das formas, as minhas desculpas se, de algum modo fui inconveniente.

Boa noite e boa sorte para a associação.

Ana Antunes

Afixado por: Ana Antunes em dezembro 6, 2004 11:03 PM

Cara Turandot,

Gostava de receber informações acerca da associação.Defacto temos que fazer algo,é inademissivel estar á mais de 4 anos (no meu caso )a aguardar que nos seja confiada uma criança quando quase todos os dias ouvimos pedidos de ajuda a associações de crianças abandonadas.Segundo informações que eu recebi hoje da SS do Porto não á crianças disponiveis para a adopção (crianças entre 2 a 5 anos).Devido a isto pergunto : Quem é que anda a brincar com quem???

Boa noite e desculpem o meu desabafo

Afixado por: Cristina Fernandes em janeiro 19, 2005 08:22 PM

cara cistina,
gostava de lhe dar informações mais precisas sobre a associação colo. mas não lhe consigo dar neste momento. sei apenas que se está a avançar com a construção de um site. já vi a primeira versão. mas não lhe sei dizer quando estará em funcionamento...

entretanto informo-a que no âmbito do observatório que eu própria estou a criar irá começar no próximo sábado a primeira reunião de um grupo de trabalho que recebe o nome de "forum - problemas e desafios que se colocam à adopção em portugal". este grupo de trabalho terá o objectivo de formalizar um doc. em que se identificarão problemas e recomendações...achamos que é um ponto de partida importante...estamos a prever uma ampla divulgação do mesmo...

se alguem quiser dar um contributo para este grupo de trabalho, por favor disponha do endereço ffscalabis@hotmail.com

realmente é lamentável estar tanto tempo há espera...mas infelizmente nem todas as crianças institucionalizadas estão para adoptar...é a nossa lei...é a mentalidade dos nossos juízes...é a defesa das instituições de acolhimento...

não desista...
um abraço.

Afixado por: turandot em janeiro 19, 2005 09:08 PM

Cara Cristina,

De facto, há menos crianças pequenas para adopção do que candidatos. Os lares de acolhimento (prolongado = até aos 18/21 anos) estão cheios, mas a maior parte das crianças têm mais de seis anos e são essencialmente adolescentes.
A maioria passou por CAT's - Centros de Acolhimento Temporário, onde se define o projecto de vida da criança: regresso à família de origem, adopção ou institucionalização. O problema é que aqueles que poderiam seguir para adopção, se já têm mais de 5 anos, ninguém os quer (os mais pequenos são muito poucos). Crianças com 6 anos, por mais doces que sejam, passam muitas vezes um ano ou mais à espera que alguem as queira adoptar, até que os CAT's têm de libertar o espaço e a criança é encaminhada para o Lar de Acolhimento prolongado onde viverá até à sua autonomização. Muitas crianças são retiradas à famílias já com uma certa idade, quando se tornam mais visíveis os problemas sociais da família e o risco que correm. Mas para essas não há outro futuro, sem ser a institucionalização, pois não há adoptantes! Os candidatos à adopção têm todo o direito de escolher idades e eu tento não julgar, mas devem lembrar-se que se esperam 3, 4 ou 5 anos por uma criança, muitos crianças (maiores de seis) esperam uma vida inteira por pais que nunca surgem!

Afixado por: Sandra Cunha em janeiro 19, 2005 10:50 PM