
Ao visitar este site por diversas vezes, fiquei sempre, ou quase sempre com a sensação que a adopção é também quase sempre uma segunda ou última opção por parte dos pais. Quase sempre porque não podem ter filhos biológicos e então resta a opção dos chamados filhos adoptivos. Hesitei em dar, por muito tempo, o meu testemunho pessoal, por ser tão diferente e "anormal" de todos os outros. Depois, porque se têm abordado as muitas dificuldades em se conseguir adoptar crianças, quando as verdadeiras dificuldades residem muitas vezes nas boas ou más vontades de quem está à frente dos serviços de adopção...
Quem leu semana passada o Expresso, por exemplo, na revista em que se falava da instituição Aboim Ascensão e do seu director, pôde ver as dificuldades que a bióloga Clara Pinto Correia teve em adoptar os seus filhos. Dizia o artigo que depois de anos de espera em adoptar, sem sucesso, e após uma visita ao director Luís Vilas Boas a quem expõe toda a sua angústia pedindo a sua ajuda e intercessão, bastou um simples telefonema dele para a misericórdia de Lisboa (onde estava inscrita) para que um mês depois ela tivesse os seus filhos em casa (...).
O meu caso é também paradigmático do que verdadeiramente se passa a este
nível. Ao contrário de todos os testemunhos que assisto, eu nunca quis ter filhos. Há mais ou menos três anos a ideia em adoptar começou a surgir-me como uma coisa extremamente agradável e aprazível, ao contrário da ideia em ter filhos "naturais" que sempre e invariavelmente me trazia uma enorme angústia e sofrimento.
Volvido algum tempo em que a ideia e decisão de adoptar se cristalizaram dentro de mim de modo irreversível, dirijo-me aos serviços de adopção da minha área de residência (Porto) para aí me inscrever na adopção internacional. De referir que sempre pensei em adoptar no/do Brasil, país com que tenho uma afectividade especial e pessoal imensas. Isto depois de ter contactado os serviços de adopção do Brasil num dos estados de lá. Inscrevi-me junto com o meu marido, passados dois meses e meio fomos chamados para a primeira entrevista com a respectiva assistente social que nos informou da documentação necessária, etc, etc. Ao mesmo tempo fui também providenciando toda a documentação que do Brasil me exigiam, e que tinha, toda ela de passar pela autenticação do consulado do Brasil.
Temos a entrevista com a psicóloga dos serviços, a documentação toda ela entregue, faltando apenas a visita domiciliária, para então o processo seguir para a Adopção Internacional em Lisboa e daí seguir para o Brasil.
Bom, descrever aqui o que passámos a partir daqui com a assistente social é impossível. Simplesmente não queria dar seguimento ao processo, dizendo-nos cinicamente que não fazia a menor ideia quando ele estaria pronto, que poderia seguir para Lisboa daí a um mês como a seis meses ou mais...Uma guerra de nervos e desgaste que não podem imaginar. Não vou dizer aqui como consegui que o processo fosse, finalmente, liberado. E isto quando nem sequer eu queria crianças daqui!!
Ouvindo aqui há tempos o Marcelo Rebelo de Sousa ao se pronunciar sobre a nova lei de adopção, fez-me lembrar o meu caso. Dizia ele que as leis podem todas elas mudar mas que o problema residia precisamente nas pessoas que estavam à frente dos serviços... .
Pessoas com perfis mesquinhos e miseráveis, que se servem das suas posições para muitas vezes pisarem e humilharem.
Ainda não temos os nossos filhos connosco (estamos inscritos para dois ou três) mas espero que seja para breve. Como acredito que na vida nada acontece por acaso, sei e sinto que serão os filhos que a vida me/nos reservou. Assim como sei e sinto que serei muito feliz com eles. Já os adoro mesmo antes de os conhecer e penso neles e no seu futuro como uma mãe qualquer.
No próximo contacto quero falar sobre o que eu acho sobre os chamados "laços de sangue"..., tema recorrente e tão falado ( ainda...) nestes casos.
Um abraço,
Maria V. D.
Publicado por PauloS em janeiro 18, 2004 06:08 PMMuda de emoção, espero que a Maria venha a ver concretizados todos os sonhos que partilha connosco! É esta a resposta que eu já pressentia: insistir, persistir, nunca cruzar os braços. Neste país, tudo o que for válido atinge a dor da Via-sacra... Há que remar contra esta maré que tolhe os movimentos de quem vê longe, muito mais longe!
Bem-haja, Maria!
E bem-haja, Paulo, por continuar a demonstrar-nos no seu blog que vale a pena lutar por um sonho!
Abraços fraternos. Inês.
Afixado por: Inês Alva em janeiro 18, 2004 06:50 PMObrigada Maria por, finalmente, ter decidido participar neste blog.
O teu testemunho irá ser muito importante para todos nós porque, realmente, é diferente em muitos aspectos das vivências dos outros pais ou candidatos a pais adoptivos.
Um grande beijinho da Isabel.
Afixado por: Isabel M em janeiro 18, 2004 08:56 PMDescobri este Blog á uns dias e li-o todo atentamente por ser um tema que a mim me toca muitissimo. Tenho 22anos e desde que pensei em filhos que tenho uma certeza quero adoptar crianças e faze-las felizes. Não sei se algum dia terei filhos biológicos mas isso para mim não é importante, importante sim é dar amor e carinho a crianças que precisam de um lar. Espero que quando chegar a minha vez tudo esteja mais fácil e principalmente que fazer uma criança feliz não tenha que ser uma luta desesperante contra a burocracia do estado e a má vontade de alguns. Cátia
Afixado por: Cátia em janeiro 19, 2004 06:51 PMSou jornalista do PÚBLICO e estou a escrever um artigo sobre adopção internacional. Agradecia que quem conhecesse alguém que tenha adoptado uma criança estrangeira ou estivesse interessado em fazê-lo que me dissesse alguma coisa.
Cumprimentos,
Nelson Marques
Afixado por: Nelson em fevereiro 2, 2004 02:55 PMÉ a primeira vez que eu faço um comentário 'público' por isso não sei bem por onde começar! Mas vou tentar resumir!
Tenho um processo de Adopção aberto na segurança Social faz este mês (Fev.2004) 1 ano. Esta semana vou ter a visita domiciliária da assistente da segurança social. Ou seja ainda não está concluída a primeira fase do processo, que é a avaliação do casal, e que segundo a lei não pode demorar mais de 6 meses! Mas isso penso não ser novidade para ninguém! O que eu realmente queria, e daí o meu contacto era informações sobre a adopção internacional. Gostava de adoptar 2 crianças do Brasil. É um país muito próximo e como tenho lá familiares pode facilitar o processo. Para mim a decisão de adopção internacional foi uma única, é que tenho ideia que o processo é muito mais rápido. Aqui em Lisboa disseram-me logo que teria de esperar em média 5 anos para ter uma criança! Eu acho este tempo inaceitável! Por isso tudo o que eu possa fazer para ter um filho o mais rapidamente possível, eu faço, nem que o tenha de ir buscar à China!
Se me poderem ajudar e dizer-me o que tenho de fazer para abrir o processo internacional, eu agradecia. Eu sei que primeiro tenho de concluir a primeira fase de Avaliação do casal, mas se calhar posso ir organizando a documentação que é necessária para o Brasil de forma a tornar mais rápido o processo. Obrigada desde já pela vossa atenção,
Cumprimentos,
Patrícia Pires Monteiro(patriciamonteiro@clix.pt)
Olá a todos,
O meu nome é Inês e estou no 2º ano de jornalismo, e no âmbito de uma das cadeiras do curso estou a elaborar uma reportagem sobre adopção, pretendendo centrar-me na adopção das crianças com deficiências ou outras características especiais que as tornem "diferentes". Venho então por este meio solicitar a colaboração de pais que tenham adoptado,como devem calcular, de preferência uma criança com estas características que referi e que estejam dispostos e disponiveis para dar um pequeno depoimento da sua experiência . Se alguém estiver interessado em colaborar, prestando uma grande ajuda para o meu trabalho, gostaria que respondessem para o meu e-mail que é ines.vieira@iol.pt, fico então á espera das respostas. Obrigada pela vossa atenção!
Afixado por: Inês Vieira em fevereiro 4, 2004 12:24 AMOlá Patrícia,
muito obrigado pela sua visita.
Relativamente à adopção internacional, não a poderei ajudar pois é uma matéria que tem gerado no Blog, algumas perguntas para as quais ainda ninguém respondeu concretamente.
A informação que tenho e pelo testemunho de algumas pessoas que deixaram comentários, parece que ainda é um processo mais difícil que a adopção de crianças nacionais.
São as Seguranças Sociais que também controlam essas situações em conjugação com as Embaixadas, mas tenho algum receio que seja um caminho ainda mais cheio de dificuldades com o qual nem as próprias S.S. sabem muito bem como lidar.
Desculpe por não a conseguir ajudar, no entanto, a sua pergunta permanece no Blog, pelo que, talvez, haja alguém que lhe possa dar uma resposta mais positiva.
Volte sempre.
Sendo-me impossível fazê-lo pessoalmente, por desconhecimento do modo aqui na Internete, rogo o grande obséquio de fazer chegar ao Dr. Luís Vilas-Boas a manifestação do meu mais veemente apoio à sua filosofia em matéria de adopção.
Várias vezes o tenho ouvido na Tv, ontem de novo a propósito das pretensões de casais homossexuais, agora mesmo em entrevista ao jornalista Mário Crespo: quero dizer-lhe que muito lhe admiro a coragem, a lucidez, a dedicação...
Já agora: tenho mais de 60 anos, formação superior universitária, formação ideológica de esquerda (bem à esquerda do PC). Nada disto me impede de comungar dos pontos de vista do Dr. Luúis Vilas-Boas!
M/obrigado.
Gostei do que li. Eu tenho uma menina Angolana que a mãe me mandou para eu adoptar, a menina foi-me entregue por um casal amigo no aeroporto de Lisboa. A menina é minha prima direita e veio acompanhada com uma declaração da mãe reconhecida a assinatura em Angola. Tenho o processo à 3 anos a decorrer já tenho a aprovação da Segurança Social e agoa só falta todo o processo burocrático dos tribunai que demoram tanto tempo.
A minha menina vai entrar para a escola este ano e eu não tenho qualquer documento legal.
Em todo o processo ela já foi arguida num processo e que eu não pude defende-la.
Neste momento o tribunal diz que não encontra a mãe, e eu só com dois telefonemas para Angola consegui localizá-la.
è uma história digna de publicação, talvez um dia quem sabe.
A minha menina chama-se Suzana com "z" e é a morena mais linda do mundo e eu espero, espero, e vou esperando por uma resolução que tarda com a burocracia deste país.
Fiz bem sem olhar a quem porque ela corria risco de vida e agora não consigo legalizá-la.
Este estado leva-nos a pensar que não se pode pensar primeiro com o coração, mas sim com a cabeça.
A minha Suzana chama-me Mãe e isso basta-me para me fazer feliz!
Afixado por: Isabel Luz em abril 17, 2004 01:19 PMSe alguém me puder ajudar contactem-me obrigado
PRMOD@IOL.PT
Afixado por: Isabel Luz em abril 17, 2004 01:20 PMOlá a todos
Quero, antes de mais, exprimirir a todos aqueles que tomam a decisão de adoptar a minha enorme admiração, pela coragem e sobretudo por todo um amor que decidem n~ºao guardar apenas para vós.
Sou estudante de enfermagem e no âmbito de uma cadeira foi-me proposto um trabalho numa área que diga respeito à família. Para mim foi imediata a escolha do tema da adopção que tanto me fascina e por me parecer ser um campo onde é preciso um tão grande apoio e onde é possível desenvolver um imensamente rico trabalho de enfermagem, pois enfermagem não é apenas para quem está doente, mas para quem necessita de apoio a qualquer nível.
Queria colocar duas questões que gostaria de ver respondidas, se me concederem tal gentileza:
Qual é o tipo de apoio que recebem após a adopção, e qual a importância deste blog e de outras associações para vós?
Que diferenças ou dificuldades encontraram na convivência com os vossos filhos nas várias etapas do crescimento?
Refiro-me a eles como vossos filhos pois é de quem os ama que uma criança é verdadeiramente filha. Eu como filho sinto-me ligadoi aos meus pais pelo amor e não pelo laço biológico
Um muito obrigado pela colaboração e um muito obrigado pela esperança de amor que trazem ao mundo.
Tiago Pinheiro
Eu sou jovem adoptada,sou muito feliz e amo os meus pais adoptivos,eles são tudo para mim.salvem vidas as crianças merecem ser felizes.
AMO-VOS pai e mãe.
Afixado por: Ana Rita Almeida em novembro 18, 2004 07:28 PMAna Rita Obrigada pelo seu testemunho. Ele é um presente precioso para nós mães adoptivas.
Hoje o meu filho que tem 4 anos perguntou-me:
- Mas, mãe porque é que eu não pude estar na tua barriga ?
A Ana Rita também se lembra de ter feito esse tipo de perguntas à sua mãe?
Mais uma vez obrigada pelo seu testemunho de felicidade.
Ana Rita:
Obrigada pelas suas palavras. Não imagina o quanto as suas palavras são deliciosas de se lerem.
Um dia destes fui surpreendida por uma funcionária da creche da minha filha que fez questão de me dizer que também ela foi adoptada. Ela fala com a maior ternura e carinho da mãe e do pai e agradece muito o facto de eles a terem adoptado. E confirmou o que eu penso: entre um filho biológico e um filho adoptivo só o príncipio é que é diferente.
Muitas felicidades, Ana Rita, e muito obrigada.
Maria Joana
Ana Rita:
Obrigada pelas suas palavras. Não imagina o quanto as suas palavras são deliciosas de se lerem.
Um dia destes fui surpreendida por uma funcionária da creche da minha filha que fez questão de me dizer que também ela foi adoptada. Ela fala com a maior ternura e carinho da mãe e do pai e agradece muito o facto de eles a terem adoptado. E confirmou o que eu penso: entre um filho biológico e um filho adoptivo só o príncipio é que é diferente.
Muitas felicidades, Ana Rita, e muito obrigada.
Maria Joana
Ana Rita:
Obrigada pelas suas palavras. Não imagina o quanto as suas palavras são deliciosas de se lerem.
Um dia destes fui surpreendida por uma funcionária da creche da minha filha que fez questão de me dizer que também ela foi adoptada. Ela fala com a maior ternura e carinho da mãe e do pai e agradece muito o facto de eles a terem adoptado. E confirmou o que eu penso: entre um filho biológico e um filho adoptivo só o príncipio é que é diferente.
Muitas felicidades, Ana Rita, e muito obrigada.
Maria Joana