fevereiro 12, 2004

2ª Pergunta aos leitores

Que informação gostaria de saber sobre a criança que pretende adoptar?

Se adoptou, que mais informação gostaria de ter tido sobre a criança antes de a adoptar?

Publicado por PauloS em fevereiro 12, 2004 09:34 AM
Comentários

Ja´participei no seu blogo algumas vezes e neste momento encontro-me na fase de "total paciência" em que recebi a carta da S.S. a dizer que eu e o meu marido estamos aptos para a adopção. Confesso que na visita domiciliária fiquei muito desiludida porque tentaram quase fazer-me desistir da nossa vontade de adoptar uma criança pequena e queriam que adoptassemos uma criança mais velha. Disseram-nos que estão a atender os pedidos das pessoas que se increveram em 1999 e como eu me inscrevi em 2002 ainda teria de esperar bastante tempo, e tendo em conta a nossa idade (34 eu e 42 o meu marido) talvez não dessem uma criança, logo se via.... Uma bela actitude, sim senhora! Quando ao passado da criança a adoptar, também nos fizeram essa pergunta várias vezes (será para ver ser nos contradizemos e devemos se internados num manicómio, e considerados não aptos....) e gostaria de saber tudo sobre o passado da criança, porque penso que poderá permitir uma melhor integração da criança e compreender algumas actitudes que ela possa ter. Peço desculpa pelo meu tom sarcástico, mas estou bastante desencantada com todo este processo, eu sei que existem muitas crinaças mais velhas para adoptar, mas estas não devem se "impostas" mas sim desejadas, pois só assim poderam ter uma vida boa a que tem direito.

Afixado por: Maria Pereira em fevereiro 12, 2004 11:26 AM

Quanto a mim, o passado da criança não me interessa muito a não ser quanto á sua saúde, para saber os cuidados a ter.
Acho que o passado da criança vai ser aquele que, no futuro, olhando para trás, a engloba como membro da minha família.Para mim e para essa criança, espero que o passado dela comece no dia em que veio para junto de mim e nada mais me interessa.
Maria Pereira , não percebi aquele aspecto que foca no seu comentário ácerca de não lhe entregarem uma criança por causa das vossas idades. Nunca ouvi nada do género.
Até depois, Isabel M.

Afixado por: Isabel M. em fevereiro 15, 2004 07:38 PM

Desde que me lembro que gostaria de adoptar uma criança, mesmo antes de saber que para nós seria impossível ter uma criança biologicamente. A informação que eu gostaria de ter antes de adoptar acerca da criança, era se os seus pais biológicos poderiam alguma vez interferir na nossa relação Pais adoptantes/filhos.
A ideia da adopção é vista muito pelo lado romântico, mas eu sei que é dos passos mais difíceis que se pode dar, primeiro é a recusa da nossa infertilidade, - "se os outros podem ter bebés, porque não eu", depois, é a confirmação da nossa infertilidade face à sociedade, aos nossos amigos, conhecidos, são as perguntas indiscretas, como se não bastassem os anos de angústia e frustração até chegar ao momento de ter um filho. E ainda, é a eterna insegurança, "irei ser uma boa Mãe/Pai, serei capaz?". Quando um acto, que como é este, o de ter um filho é pensado ao milésimo, conseguiremos nós chegar ao fim cientes de que é isso mesmo que queremos.

Afixado por: Sibila em fevereiro 16, 2004 06:15 PM

Há um facto que me parece de extrema importância que tem a ver com a vida da Criança antes de ser adoptada. Não se pode, nem se deve, tentar apagar o passado da Criança como se ela não tivesse tido uma vida própria antes da adopção. Imagino que seja complicado aceitar isso, mas tentar negá-lo é truncar parte da memória da Criança. Tenho conhecimento de que em alguns Centros de Acolhimento os responsáveis têm o cuidado de fazer um álbum com as fotografias da Criança desde a sua entrada no Centro, e que alguns Pais, ao adoptarem a Criança, rejeitam pura e simplesmente essas fotos. Parece-me compreensível mas nem por isso menos injusto. E o que dizer em relação àquela figura de referência no Centro de Acolhimento que foi provavelmente a única que a Criança teve até então? Dever-se-á afastá-la definitivamente da convivência da Criança?! Seria muito interessante pensar um pouco sobre tudo isto.
E para terminar, uma frase de Carl Bard para meditarmos: "Embora ninguém possa voltar atrás e construir um novo começo, toda a gente pode começar a partir de agora e construir um final completamente novo".
Bem hajam!
Céu Guitart

Afixado por: Céu Guitart em fevereiro 17, 2004 11:36 PM

Para Céu Guitart:
Gostei de ler o seu comentário e tudo o que disse é muito importante.
Quando, no meu anterior comentário a esta pergunta eu refiro que o passado da criança não me interessa quero dizer que não me interessa no sentido de poder infuenciar a minha decisão de a adoptar ou não. É óbvio que o passado dessa criança faz parte da vida dela e, não se deve tentar apagar.
Tenho amigas que adoptaram crianças e que no seu albúm de fotografias as fotografias de bébé foram dadas pela instituição que acolheu essa criança e, pelo menos nos casos que eu conheço,as mães adoptivas agradeceram essas fotografias pois eram as únicas que, com aquela idade, um dia poderiam mostrar aos filhos.
Quanto áquela figura de referência no centro de acolhimento, considero que o afastamento ou não da criança deve depender da sua própria vontade. Não se deve forçar nem num sentido nem no outro.
Para finalizar,também gosto muito dessa frase de Carl Bard e acho que se encontra aqui muito bem aplicada.
Isabel M.



Afixado por: Isabel M. em fevereiro 18, 2004 01:40 AM

Cara Isabel
Obrigada pelas suas palavras. Nunca adoptei, mas tenho seguido bem de perto o processo da adopção porque formei uma Associação recentemente que vai ter um Centro de Acolhimento que seguirá a filosofia da Emergência Infantil do Dr. Luís Villas-Boas (que tem sido, desde o início, o meu mestre nesta área).
Fico feliz por haver pessoas como a Isabel, e felizmente tantas outras, com tanto amor para dar a quem tanto precisa.
Toda a felicidade,
Céu Guitart

Afixado por: Céu Guitart em fevereiro 18, 2004 09:00 PM

Para Céu Guitart:
Hoje lembrei-me do seu comentário a esta pergunta ao ler o artigo sobre adopção que vem na revista do jornal Público. Já leu?
Dá realmente que pensar........

Afixado por: IsabelM em fevereiro 29, 2004 08:24 PM