março 09, 2004

Questões emotivas

(Blog mantido pelos leitores. Envie o seu contributo (texto) para o meu email,
(eu-adoptei@iol.pt), terei todo o gosto em publica-lo aqui.)

Ontem andava eu à procura de um livro sobre adopção na web, quando descobri o "cantinho precioso" que é o weblog eu-adoptei! E sinceramente, perdi-me horas à volta do seu conteúdo, lamentando sempre o ter descoberto, após este já ter acabado. (existe sempre a hipótese do milagre da ressurreição...) Mas o que me leva a escrever-lhe, além do dar o meu testemunho, (que acredito que é válido e que pode ajudar alguem) foi o facto de a minha situação ter muitas semelhanças com a sua. Também eu tenho dois filhos (um menino e uma menina) um com quatro anos e outro com tres (com 7 meses apenas de diferenças de idade), um biológico e outro adoptado. A diferença é que a ordem é inversa, primeiro nasceu a minha filha e só depois chegou o meu filho. O nosso testemunho é sem dúvida importante, pois penso que somos o exemplo, a prova (para quem precisar dela) que o amor a um filho está no coração. Nós vivemos isso todos os dias, com um padrão ao lado ( o filho biologico) que nos dá a certeza que o nosso amor, que as nossas alegrias e tristezas que temos como pais nada têm haver com o património genetico, ser igual ou diferente do nosso. No meu caso como mulher, posso acrescentar que as alegrias de uma gravidez são enormes, é um periodo mágico, mas um pouco egocentrico. Mas as transformações físicas e hormonais que a gravidez me proporcionaram, nada contribuiram para o meu papel de MÃE. Quanto às questões emotivas, os dois processos foram no fundo semelhantes: O desejo de ter um filho, o sonhar como esse filho, o olhar para os meninos que brincam na rua e pensar quando chega o meu...

Voltando ao inicio, eu encontrei este site, enquanto andava á procura de um livro que me ajudasse a responder à minha filha (e daqui a nada ao meu filho) á seguinte questão:
- Se todos os bebes nascem das barrigas, de que barriga nasceu o mano ?

Paulo, eu e o meu marido, sempre adoptamos uma posição distinta da sua em relação, ao esclarecer a situação em relação á diferente origem dos dois. A ideia é nunca esconder o assunto, que esta verdade, seja sempre uma verdade assumida e natural (é um exercicio deveras dificil de levar á pratica). Falamos do assunto, desde sempre com toda a gente e em frente deles. Aproveitei a situação, de ter uma pessoa conhecida que adoptou uma menina, para falar no assunto mais concretamente com os dois (tinham na altura um dois anos e ou outro tres). De tal maneira que a minha filha, quando ve alguem conhecido com um bebe pequenino nos braços pergunta:
- O teu filho, nasceu da tua barriga, ou foste busca-lo a uma casinha ?

O meu monologo já vem longo....posso prosseguir noutra altura se assim houver interesse.

Patrícia

Publicado por PauloS em março 9, 2004 09:20 PM
Comentários

Olá Patrícia,

Adorei o seu testemunho enquanto mãe de dois filhos, um biológico e outro não. Eu também sempre fui de opinião que quanto mais cedo se disser aos nossos filhos que não vieram da nossa barriga melhor, por várias razões. O que importa mesmo e só é o amor entre pais e filhos, venham eles de onde e como vieram.

Pois continue a participar, é muito bem-vinda, o que precisamos são testemunhos desses.
Abraço,
Maria Van Dijk

Afixado por: Maria van Dijk em março 9, 2004 09:50 PM

Gostei de ler o seu testemunho... É importante falar nas coisas.
:-)

Afixado por: Allein em março 9, 2004 10:00 PM

Ola Patricia! Também eu adorei o seu testemunho...
E, mais uma vez se confirma a minha opinião, que o amor por um filho e o amor deste pelos pais vem do coração e não do factor biológico.
Conheço várias pessoas com histórias semelhantes e todas elas confirmam que o que sentem em relação aos filhos adoptados e biológicos é o mesmo e não fazem, nesse aspecto, a mínima distinção.
É bom ouvir testemunhos desses, e continue a participar....
Quem sabe se ao aparecerem muitos mais testemunhos deste e de outro género o blog volta a renascer?
Isabel M.

Afixado por: IsabelM em março 9, 2004 10:19 PM

Fiquei agradavelmente surpreendida com este blog, tenho a certeza que me vai ajudar a encarar as diversas situações que me esperam ao longo da minha Vida, isto porque tenho uma filha com 30 meses, adoptada. A minha menina têm -me feito perguntas que ás quais não sei qual o melhor caminho para responder. Passo a explicar: Foi adoptada com 19 meses, tinha na altura um atrazo de desenvolvimento motor e de fala. Passado 1 ano a minha menina é super inteligente, ágil e fala com uma articulação e lógica que envergonha alguns adultos que conheço.Já perguntou algumas vezes se eu sou a sua mãe, a resposta é sempre SIM, mas existem diferenças que não podem ser de forma alguma escondidas, tanto eu como o meu marido somos morenos,e a minha menina é mulata (linda) e quando as observações sobre a cor e o cabelo se fazem na rua, é que vem a pergunta. Acho que ela ainda é pequena para que a resposta seja outra, ou será que não? Tenho medo de provocar de alguma forma algum trauma ou insegurança.... Será que estou errada. Obrigado

Afixado por: Ana em março 10, 2004 12:59 PM

Ana
Ter um filho diferente de uma etnia diferente torna por um lado mais facil a questão de falar sobre a suas origens, pois as perguntas da parte da criança surgem mais cedo. E é mais facil ir respondendo ás perguntas que nos fazem, que abordar o assunto do nada. Eu como o meu filho que o recebi aos 12 meses, também com atrasos de desenvolvimento significativos, que foram também rapidamente superados e que eu pensava que não tinha memoria do tempo anterior aos 12 meses, outro dia fez-me a seguinte pergunta (tem agora 3 anos e meio):
- Mama, eu quando estava na casinha (de onde veio) não estava sozinho, estava com outras pessoas, com outros bebes e com o meu ursinho ( o boneco que trouxe do centro de acolhimento), não era?
Eu já lhe tinha explicado que ele estava sozinho, sem pais e que eu o tinha ido buscar para ser mãe dele. Mas donde ele tirou tudo o resto é uma incógnita.
O meu conselho, no seu caso é que fique à espera das perguntas e tente sempre responder de uma forma clara e simples. Eu utilizo muitas vezes a história do filme do Tarzan da Disney como ponto de comparação, para lhe explicar.
Um abraço

Afixado por: AlexandraP em março 10, 2004 05:23 PM

Patrícia, também eu acho que se deve sempre falar abertamente com eles, e quanto mais cedo, melhor. Até porque a maioria das crianças adoptadas chegam já com mais de 3 anos de idade e têm memória da sua vida anterior (embora inicialmente façam um grande esforço para esquecê-la).

Afixado por: helena em março 24, 2004 10:29 PM

O meu filho do meu coração que adoptei com 3 meses e que está prestes a fazer 4 anos, soube há 15 dias, que não esteve dentro da minha barriga..."pois sabes filho a mãe tem um doi-doi na barriga", contei-lhe que esteve na barriga de outra senhora e que depois passou para o meu coração... portanto é o filho do meu coração...
As palavras dele: "mãe tu também estás no meu coração".
Amo o meu filho. O meu filho é a minha vida.

Afixado por: Helena em março 26, 2004 03:30 PM

Helena
Gostei sem dúvida da sua aproximação de como explicar que o seu filho não nasceu da sua barriga?
Mas o meu problema é explicar á minha filha (tem 4 anos e meio) aonde está a senhora da barriga donde nasceu o mano? (a minha filha serve de cobaia, porque ela chega ás questões primeiro que o irmão porque é mais velha)

Afixado por: AlexandraP em março 26, 2004 10:17 PM

Helena
Gostei sem dúvida da sua aproximação de como explicar que o seu filho não nasceu da sua barriga?
Mas o meu problema é explicar á minha filha (tem 4 anos e meio) aonde está a senhora da barriga donde nasceu o mano? (a minha filha serve de cobaia, porque ela chega ás questões primeiro que o irmão porque é mais velha)

Afixado por: AlexandraP em março 26, 2004 10:17 PM