(Blog mantido pelos leitores. Envie o seu contributo (texto) para o meu email,
(eu-adoptei@iol.pt), terei todo o gosto em publica-lo aqui.)
Gostava de propor o seguinte assunto de discussão:
Está ou esteve disposto a adoptar uma criança de outra etnia? Porque sim ? Porque não?
Quem diz e disse que não !
Será por racismo?
Será por medo da reacção da sociedade?
Será por pretender iludir os outros e a si mesmos que este seu filho tem tambem os seus genes?
Pois, eu adoptei um criança de outra etnia, uma criança de cor de chocolate e cabelo encaracolado, uma criança negra!
AlexandraP
Publicado por PauloS em março 10, 2004 06:46 PMUma adopção é sempre um acto de amor.
Partindo desta verdade qual é a diferença de adoptar uma criança de outra etnia.
Não será um acto de egoismo querer adoptar uma criança que seja fotócópia dos pais, ou pelo menos que se assemelhe o mais possivel?
Socialmente será mais fácil "passar", mas e a criança, não será pior "iludir" com uma não verdade.
Quando adoptamos a nossa filha colocamos todas estas questões. Até que concluimos que o que queriamos era completar uma parte de nós ainda vazia, um filho. Só a palavra FILHO encerra em si mesmo todo o amor, carinho´, dádiva, entrega, etc...
De facto só as pessoas exteriores ao nosso meio olham- nos de modo diferente, porque o resto nem se lembra que a Maria é de outra raça.
Ana
Olá Alexandra e Ana! parabéns ás duas pelos vossos filhos.
Eu também acho que a cor da pele não tem o minimo interesse quando se quer mesmo ter um filho.
Também essas crianças precisam de uns pais que as amem, e de certeza que o amor não tem cor....
Bem, eu lançei o desafio de se discutir o tema da adopcção de criança de outra etnia, com o objectivo de ajudar os candidatos a pais adoptantes a refectir sobre o assunto. A verdade é que é o tempo de espera quando se pretende adoptar uma criança de outra etnia é muito menor, pois segundo as tecnicas da segurança social ainda existem poucos casais dispostos a adoptar uma criança negra. E devido ao aumento de imigrantes dos países africanos, o numero de crianças mestiças e negras tem vindo a aumentar na última decada. A ideia deste debate, era e é o mais nobre - ajudar os que ainda tem dúvidas sobre o assunto e em ultima instancia ajudar as crianças que esperam por uns pais! Mas a pouco adesão por parte dos colaboradores mais assiduos, deixou-me um pouco desiludida e fez-me sentir incompreendida. Afinal porque é que não houve ninguem que explicasses suncintamente as razões que a levaram a só querer adoptar uma criança branca ?
Eu penso que tanto as respostas do porque sim, como do porque não, contribuem favoravelmente para se poder repensar o assunto sobre diferentes prespectivas...
Vá-la colaborem, contribuam com as vossas reflexoes e /ou experiencia sobre o assunto.
Olá!
Na minha opinião não interessa nada se os filhos que nós adoptamos sejam de outra raça ou côr. Há, é claro, uma pressão e preconceito enormes por parte dos outros, mas depende de nós ligarmos a isso ou não. E apesar da nossa História e das nossas miscegenações por esse mundo fora, fico, quantas vezes, perplexa com o nosso racismo e preconceito. Além do mais, nós, como povo,na sua grande maioria, temos nos nossos genes características muito semelhantes aos povos africanos e árabes, mais do que qualquer povo ou país europeu.
No meu caso em particular, sem qualquer tipo de diferenciação menos positiva, procurei crianças que fossem o mais parecidas connosco fisicamente. Não pelos outros, mas até por gosto pessoal. Acho também natural e compreensível que se queira isso, é humano. Também não vamos cair num outro extremo de se criticar ou condenar os casais que optam por quererem filhos o mais parecidos fisicamente com eles. Tirando gostos pessoais, o factor cultural aqui, é sem dúvida, o aspecto determinante e decisivo que levam os casais a procurarem crianças da sua raça.Com o factor cultural, vem, então, todo o resto-o racismo, o preconceito e atitudes afins.
Abraço,
Maria Van Dijk
eu adoptei uma menina seropotiva que precisava muito de afecto. foi ela que me escolheu. muita pessoas me falam do tempo que ela vai viver. eu digo cada dia é um dia , mas tenho a certeza que ela vai viver muito . nunca penso nisso, penso como todas as mães ou pais no quotidiano dela.alientação ,escola, musica, dança,etc e proporcionar o melhor possivel para que ela não tenha muitos problemas e se saiba defender deles. educo-a com amor e respeito pelos outros. pode viajar comigo para toda a parte, pode ir aos sitios publicos porque nao faz cenas a toda a hora.e se cada um de nós nao cria-se tantos tabus,podia dar e receber amor de crianças diferentes. pensem nisto.
se quiserem dar apoio a estas crianças contactem a directora da Abraço. Eu sei que ela já conseguiu a adopção de tres crianças com este problema e todas elas ficaram com mais vida. Há crianças infectadas já com 20 anos e que andam nas faculdades.Infelizmente há pessoas e instituições que retem estas crianças e não lhes dão direito a uma familia. temos que ser cidadãos com C maisculo. nao devemos fazer caridade. contamos com pessoas de bem.escrevam para o email da mmartins.abraco@netcabo.pt se quiserem ter mais dados sobre estas crianças.obrigada por me lerem.
Perola, não podia ter um nome (verdadeiro, ou pseudonio) mais verdadeiro. Pois como Ser Humano é sem dúvida, tal como uma perola, imensamente bonita e valiosa. O seu gesto é o mais nobre que alguem pode ter, é sem dúvida o amor e a entrega total por uma causa- fazer quem mais precisa feliz! Pois eu desejo, que quando os meus filhos forem grandes sejam como a Perola, já que eu o não consegui!
Afixado por: Alexandra em março 13, 2004 09:19 PMPerola: Faço minhas as palavras da Alexandra.
Eu também não o conseguia fazer , embora não tenha a certeza, pois acho que se conhecesse a criança, me iria afeiçoar de tal maneira, que provavelmente até era capaz de conseguir. O meu receio era só o grande medo de a perder mas isso é capaz de ser apenas má informação, pois já soube de casos em que por vezes as crianças seropositivas deixam de o ser.
Mas dou-lhe os meus parabéns pela sua atitude.
E, se pensarmos bem, a vida é uma surpresa constante, até podemos adoptar uma criança perfeitamente saudável e depois ela ter graves problemas de saúde......
Por isso, temos que aproveitar enquanto tudo está bem e viver um dia após o outro.
E, tenho a certeza que a criança que adoptou terá uma vida feliz ao seu lado e a fará muito feliz também.
Temos que ir vivendo o presente e aproveitar tudo de bom que podemos viver em cada momento ,pois o futuro, seja em que caso for, ninguém sabe.
Muitas felicidades, Isabel.
Para AlexandraP : Alexandra, no meu comentário anterior houve algumas coisas que eu não referi, pois tive problemas em afixar o comentário e não deu para desenvolver muito.Mas, no que se refere ás suas questões e no que se refere aos meus sentimentos pessoais tenho a dizer que, quando me inscrevi ( e já lá vão quase 5 anos ) optei por uma criança branca.
Não por racismo ( pois, além de não fazer parte da minha maneira de estar na vida , também acho que isso já não existe ), nem por medo da reacção da sociedade ( pois o que interessa numa decisão destas são os nossos sentimentos, e não o que os outros podem pensar ) nem por me tentar enganar quanto aos genes.
Na altura, e contra a opinião do meu marido ( para quem a cor da criança era absolutamente indiferente ) a minha escolha foi apenas no sentido de proteger a criança pois achei que se fosse parecida connosco se iria sentir mais integrada na familia e, ao mesmo tempo queria protegê-la de comentários de terceiros ( inclusive de próprios colegas da escola, p.ex.).
Mas reconheço agora que isso que eu sentia, depois de ver de perto situações como a sua ( tenho uma amiga que também adoptou uma boneca cor de chocolate ) não faz muito sentido, porque depois de começarem a fazer parte da família, as crianças, seja qual for a sua cor, têm uma enorme capacidade de conquistar todas as pessoas e, sentindo-se amadas e sabendo explicar-lhes bem o porquê da sua cor ser diferente da dos pais,essa diferença deixa de existir.
Somos todos humanos e, nesse aspecto, todos iguais, com a mesma capacidade de amar e de ser amados.
A propósito, tenho uma tia que viveu em Cabo Verde e tinha uma amiga cor de chocolate ( gostei dessa definição ) que adoptou uma criança branca ( loira de olhos azuis ).
O que interessa é a união e o amor familiar e há há casos em que isso é até melhor conseguido numa familia em que os membros são de etnias diferentes do que em qualquer outra.
Já reparou na familia do Torres Couto? Tem três filhos, cada um de etnia diferente......
Todos nós somos diferentes e todos somos iguais.......
Até depois, Isabel
Isabel,
A minha intenção ao apresentar o meu testemunho neste blog, e ao propor este tema para debate, foi exactamente, para que pessoas como a Isabel, possam reconciderar sobre o assunto. Para que desta forma a espera por um filho não seja de 5 anos e para que crianças de outras etnias não fiquem mais tempo nos centros de acolhimento à espera de alguem que as queira.
As nossas escolhas, podem ate ser por causa da criança, por acreditarmos que uma criança da nossa etnia terá menos problemas de integração. É talvez melhor para a criança que nós adoptamos, mas e as outras crianças que por serem de outra etnia vão ficando á espera nos centro de acolhimento?
Alexandra,
Posso perguntar-lhe quanto tempo demorou o seu processo de adopção?
Como já referi, eu esperei todo este tempo, mas houve uma altura em que eu perguntei ás técnicas da SS se optasse por uma criança "cor de chocolate" se seria muito mais rápido e disseram-me que era mais rápido mas não muito mais pois também havia muitos candidatos para quem essa característica era indiferente e também não havia assim tantas crianças com essa caracteristica para adoptar.......
Por isso estranhei o seu comentário quando refere que essas crianças ficam mais tempo nos centros de acolhimento a espera de alguém que as queira. Porque, pelo que me disseram há sempre alguém que as quer e eu conheço pessoas que já estão inscritas faz algum tempo e que não puseram restrições ao facto de a criança ser de outra etnia e ainda estão há espera......
Venha participar no forum adopção que vai lá conhecer algumas dessas pessoas.
Até depois, Isabel M.
Quero partilhar convosco a minha experiência. Quando no inscrevemos,não colocamos qualquer obstáculo em relação á idade, sexo, etnia, cor, religião, ou doença/deficiência. No entanto esperamos quase 3 anos. Numa primeira chamada, que ocorreu, 2 anos após a aprovação de candidatura, fomos abordados para ficarmos com 2 irmãs pretas, uma delas com graves problemas de saude e com idade de 5 e 3 anos. Não ficamos com as meninas porque achamos em consciência que não estariamos preparados para receber 2 crianças em simultâneo. Na altura foi-nos dado a entender que o nosso filho seria potencialmente de outra cor que não branca, uma vez que estas crianças pouca gente estaria disposta a aceitá-las. Verdade ou não o que é certo é que no centro de acolhimento onde fomos conhecer a nossa menina das 15 crianças lá internadas 12eram pretas e 3 crianças com deficiências graves. Penso que podemos concluir alguma coisa. Eu conclui que Nós casais que não podemos gerar, temos a tendência natural ou não, de escolher e preferir crinças que se assemelhem o mais possivel com as caracteristicas da familia, esquecendo-se por vezes que um filho e o amor por ele não tem cor, È INCONDICIONAL.
Afixado por: Ana em março 15, 2004 02:26 PMIsabel Desculpe, se a resposta à sua pergunta estiver repetida, pois já respondi, só que não aparece no weblog.
Eu estive 2 anos e 10 meses á espera desde o dia que me inscrevi, os motivos de tão longa espera tiveram no entanto justificação:
- Quando me inscrevi só tinha 2 anos e meio de casada
- Entretanto fiquei gravida (6 meses apos a inscrição).
Na altura que fiquei gravida a equipa de adopcção decidiu suspender temporiamente o processo, pois acharam que não seria a altura indicada para eu receber uma criança e que preferiam esperar paar ver se nós não mudavamos de ideia em relação ao querer adoptar depois de termos os nosso bebe nos braços.
No entanto conheço pessoalmente dois casos em distritos diferentes, que esperaram menos de 1 mes, pelas seus bebes. Bebes negros com menos de um ano e saudáveis. Talvez aqui ( no tempo de espera) também dependa do factor sorte e da equipa de adopção que encontramos pela frente.
Alexandra
Tenho a certeza que o tempo de espera depende da equipa que encontramos e do local onde se vive. Fora dos grandes centros é mais fácil.
Eu vivo em Lisboa. Resumidamente, comigo passou-se o seguinte: a única restrição que pus foi em relação à idade, estabelecendo um limite de 4 ou 5 anos, não pus restrição alguma quanto à etnia ou eventual deficiência e até me propus aceitar algum caso difícil, tipo maus tratos ou violações. No entanto, esperei 5 anos e a criança que tenho fui buscá-la fora de Portugal, porque aqui o mais que me ofereceram foi um rapaz de 12 anos, e mais tarde outro com 8!... que não tive coragem para aceitar.
É realmente desanimador, constatarmos que de distrito para distrito o tratamento e rapidez do processo muda substancialmente. Só espero que com a nova lei, e a criação de uma base de dados a nível nacional contribua para a equidade nos processos.
Eu ouvi falar de um caso, de alguem que mudou de armas e bagagens de Lisboa para Beja, com vista a reduzir o tempo de espera num processo de adopcção.
Ainda não percebi se o problema é mesmo falta de dimensão das equipas da SS em Lisboa, ou se é falta de competencia. Mas penso que situações destas deveriam ser analisadas superiormente.
AlexandraP
Eu estive um pouco afastada do blog (falta de tempo).
Gostei de ter vista esta questão colocada, é bom para quem está ainda a iniciar o processo. Quando recebi o questionário inicial fiquei um pouco perdida. Não tinha ninguém com quem falar sobre isto ... Eu e o meu marido falámos muito sobre as restrições. Eu não era capaz de fazer a cruzinha, parecia que estava a excluír todas as criancinhas "diferentes". Respondemos que era indiferente, tal como o sexo. Na 1ª entrevista esse foi o ponto mais batalhado, gostei disso, a técnica quis ver quais as nossas motivações verdadeiras. E disse-me que dado existirem poucos casais nestas condições, nós teríamos fortes probabilidades de receber uma criança de etnia negra. As familias ciganas não abandonam tanto os filhos, tal como os chineses. Falámos sobre isto a toda a familia, e agora aqui em casa e na brincadeira já falamos do "Eusébio". O meu marido é moreno mas eu tenho o cabelo claro e olhos azuis. E vou adorar o contraste ...
não posso ter filhos e gostaria muito de adoptar uma criança não interressa a cor.
como posso adoptar ajudem-me
Olá a todos,
O meu nome é Inês e estou no 2º ano de jornalismo, e no âmbito de uma das cadeiras do curso estou a elaborar uma reportagem sobre adopção, pretendendo centrar-me na adopção das crianças com deficiências ou outras características especiais que as tornem "diferentes". Venho então por este meio solicitar a colaboração de pais que tenham adoptado,como devem calcular, de preferência uma criança com estas características que referi e que estejam dispostos e disponiveis para dar um pequeno depoimento da sua experiência . Se alguém estiver interessado em colaborar, prestando uma grande ajuda para o meu trabalho, gostaria que respondessem para o meu e-mail que é ines.vieira@iol.pt, fico então á espera das respostas. Obrigada pela vossa atenção!
Oi sou portuguesa tenho 25 anos e vivo em Angola, em dezembro de 2003 descobri uqe estava gravida mas por erro da medica perdi os meus bebes(eram gemeos) tive que sofrer uma cirugia e foi retirada a trompa esquerda. Em Outubro fiz um exame e o novo medico diz que não posso ter filhos devido ao trauma sofrido, gostaria de saber o que tenho de fazer para adoptar um bebe será que me podem ajudar?
Afixado por: Tatiana em outubro 14, 2004 08:20 PMtatiana,
não sei como ajudá-la porque em angola. não sei como se processa adopção para os portugueses que estão fora, mas digo-lhe já que é preterida em relação aos portugueses que vivem em portugal. se é casada só poderá candidatar-se se tiver pelo menos 4 anos de casamento. senão só poderá fazê-lo quando atingir os 30 anos. as uniões de facto também são válidas...
quando à entrada do processo não faço ideia em que oganismo poderá dar entrada...
boa sorte
tatiana,
não será mais fácil adoptar aí em angola?
helena
diz que adoptou fora de portugal.
A quem se dirigiu?que voltas deu?