junho 30, 2004

ADOPTÁMOS UMA BEBÉ (ADOPÇÃO INTERNACIONAL)

Foi com muita alegria que tive conhecimento deste blog. Não imagina a satisfação que foi. Durante muito tempo pensei em como seria bom poder participar num espaço destes ou noutro semelhante.

Adoptámos uma linda bebé num país de África. É a miúda mais gira do mundo. O nosso processo todo foi uma mistura de sentimentos, alguns receios, emoção, alegrias e muita felicidade, mas também alguns desgostos.
Desde os 16 anos que pensava em um dia adoptar, paralelamente a ter filhos biológicos. Para mim, um filho é um filho. Ser mãe ou ser pai não está no facto de o nosso filho ter os nossos genes. Ser mãe não está no facto de se carregar 9 meses um bebé na barriga. Ser mãe ou ser pai vai muito para além disso. A maternidade começa quando o bebé nasce. A diferença entre um filho biológico e um filho adoptado está unicamente no começo. É um outro principio, um outro começo, mas é um filho. O nosso filho. Amado e desejado como um filho biológico. Nem sei porque é que se fala em adoptado ou biológico. É filho. Hoje e para sempre, com tudo o que isso implica.

Adoptar foi sempre um projecto de vida paralelo ao de ter um filho biológico. Aconteceu porém, que nos deparámos com um problema de infertilidade. No dia em que tivemos o resultado dos exames fomos nos inscrever na segurança social. Optámos logo pela adopção internacional. Para nós era nos indiferente a raça, cor e sexo. Foi isso exactamente que ficou escrito no nosso processo. Apenas desejávamos ter um filho ou uma filha.

O processo teve a sua complexidade, obviamente, mas hoje temos a nossa menina connosco. Linda, linda. Com um tom de pele lindo, uns olhos grandes e muito expressivos. A emoção foi muita. A alegria é imensa e hoje já há quem diga que a minha filha é parecida comigo. Sou ruiva e de olhos azuis!!!!!!!!!!
Os desgostos a que me refiro relacionam-se com o preconceito que existe como todos sabemos quanto à raça e à própria adopção. Ainda vamos ter de crescer muito enquanto homens e mulheres para olharmos o diferente como igual e saber amar da mesma forma.

Para terminar, resta-me dizer que não trocaria a minha filha por gravidez nenhuma. Se entretanto engravidar serão ambos desejados e muito amados, de igual forma e para sempre.

Maria Joana

Publicado por PauloS em junho 30, 2004 02:13 PM
Comentários

Concordo totalmente com o que está escrito. E como fui pai biologicamente há muito pouco tempo (4 meses), já percebi que, o nascimento de um filho, é o "tiro" de partida de uma longa corrida...por isso, o que se passa até ao nascimento é o aquecimento. Logo, só depois da criança estar cá fora é que se começa a ser verdadeiramente pai/mãe, quer a criança seja ou não biologicamente nossa filha.
Já agora, leiam "Os miseráveis" de Vitor Hugo. Digam lá se, caso todos os pais deste mundo fossem como "Jean Valjean" foi para "Cosette", tantas crianças deste mundo não seriam tão mais felizes?

Afixado por: Pedro Pedrosa em junho 30, 2004 03:21 PM

Concordo totalmente com o que está escrito. E como fui pai biologicamente há muito pouco tempo (4 meses), já percebi que, o nascimento de um filho, é o "tiro" de partida de uma longa corrida...por isso, o que se passa até ao nascimento é o aquecimento. Logo, só depois da criança estar cá fora é que se começa a ser verdadeiramente pai/mãe, quer a criança seja ou não biologicamente nossa filha.
Já agora, leiam "Os miseráveis" de Vitor Hugo. Digam lá se, caso todos os pais deste mundo fossem como "Jean Valjean" foi para "Cosette", tantas crianças deste mundo não seriam tão mais felizes?

Afixado por: Pedro Pedrosa em junho 30, 2004 03:21 PM

Concordo totalmente com o que está escrito. E como fui pai biologicamente há muito pouco tempo (4 meses), já percebi que, o nascimento de um filho, é o "tiro" de partida de uma longa corrida...por isso, o que se passa até ao nascimento é o aquecimento. Logo, só depois da criança estar cá fora é que se começa a ser verdadeiramente pai/mãe, quer a criança seja ou não biologicamente nossa filha.
Já agora, leiam "Os miseráveis" de Vitor Hugo. Digam lá se, caso todos os pais deste mundo fossem como "Jean Valjean" foi para "Cosette", tantas crianças deste mundo não seriam tão mais felizes?

Afixado por: Pedro Pedrosa em junho 30, 2004 03:21 PM

Maria Joana, que lindas as suas frases, o amor por um filho não passa mesmo pelo sangue ou genes, mas pelo coração e pelo espírito. Quanto aos preconceitos, não ligue, cada um age e reage com aquilo que pode ou quer, por isso, siga em frente, preparando apenas a sua filha para esses preconceitos futuros, para que não sofra com eles.
Apareça mais vezes pelo nosso blog.

Maria Van Dijk

Afixado por: Maria van Dijk em junho 30, 2004 08:06 PM

Maria Joana

Faço suas as minhas palavras, não trocava o meu filho cor de chocolate, por nehuma gravidez ! (E eu tenho uma filha biologica!)
Já agora, eu tenho tido certa dificuldade em encontrar livros de historias e DVD de animação com personagens cor de chocolate. Será que a Joana que já conseguiu encontrar material didatico multi-etico que me possa indicar?
Um abraço
Alexandra

Afixado por: Alexandra em junho 30, 2004 08:57 PM

Maria Joana,adorei o seu testemunho. Eu só sou mãe desde há poucas semanas, mas também não trocava a minha filha por nenhuma gravidez e posso dizer que, apesar de toda a demora do processo, VALE A PENA ESPERAR.
Esta é a filha que eu sempre desejei e já não consigo imaginar um dia sem ela.
Nem me lembro se é adoptada ou biológica. É minha filha e pronto. E estou completamente perdida de amores por ela.
Felicidades para todos.

Afixado por: Isabel M. em julho 1, 2004 12:08 AM

Achei uma ternura o seu testemunho, sejam bem vindos ao blog! Fiquei sobretudo animada com a relativa rapidez do vosso processo, porque também eu, mal a minha avaliação termine, optarei pela adopção internacional.
Boa sorte! E apareçam mais vezes...

Beijos gordos e especiais à Dul, Isa e Pat.

Afixado por: Benedita em julho 1, 2004 01:57 AM

aoenas digo que fiquei arrepiada ao ler o seu testemunho...mas por saber que existem pessoas que são capazes de amar incondicionalmente. a benedita anda-me a convencer ir para a adopção internacional e já me convencei, mas tenho que ir saber à av. da república as hipóteses que existem...
parabéns alexandra pelo teu filho cor de chocolate. por acaso estava convencida de que agora existiria mais coisas de miúdos com referências a crianças de outras cores...mas ficarei atenta, se encontrar algo dir-te-ei...
beijocas grandes a todas. e particularmente para a IsabelM que está feliz com o seu rebento e para a nossa amiga...que está prestes a levar a sua pequena para casa...

Afixado por: turandot em julho 1, 2004 09:33 AM

isabel m
gostava que me dissesse como se faz para participar no forum de adopção de que fala.
é neste blog?a propósito o que quer dizer ,e o que é especificamente um blog ???? desculpem a ignorancia,mas sei pouco do assunto
bjc

Afixado por: gibarao em julho 1, 2004 10:16 AM

maria joana!
a instuição donde trouxe a sua criança é o Instituto de Cabo Verde de Menores?

Afixado por: turandot em julho 1, 2004 11:17 AM

Olá Joana,

A sua história é bem bonita, obrigada por partilha-la. Também sou a testemunha de que para amar não é preciso procriar. O meu filho é tudo para mim tal como a Joana testemunha. Quanto ao resto temos que ir mudando mentalidades mas já sabemos que é algo que leva muito tempo.
Bem haja e felecidades
Maria

Afixado por: mcn em julho 1, 2004 02:55 PM

Espero conseguir responder às várias questões que me foram colocadas.
Concordo plenamente com o que diz a Maria Van Dijk. A minha preocupação central é ter a sabedoria suficiente para transmitir à nossa filha a confiança, determinação, tranquilidade e segurança que ela necessita ter para saber reagir às situações que poderá viver. Espero que ela venha a sentir a mesma segurança em ser nossa filha como nós sentimos em ser pais dela.

Quanto à solicitação da Alexandra: encontrei 2 livros.
1. "O coelhinho tremeliques", editora Gailivro.
2. "As cores de Mateus", editora Everest
Adorei saber que tem 2 filhos e que os ama incondicionalmente da mesma forma.

À IsabelM:
Já li algumas coisas neste blog sobre a sua história e já percebi que está muito, muito feliz. Muitos, muitos parabéns. Eu bem sei o que está a sentir. Eu estava sozinha em Cabo Verde, longe de todos. Não tinha ninguém comigo, a não ser o meu marido. Recordo o final de tarde em que nos entregaram a nossa filha. Eu estava sozinha. O meu marido estava no tribunal à espera que a juíza lhe entregasse a sentença de guarda. Era sexta-feira. Partiriamos para Portugal no dia seguinte. Naquele momento fui eu,a nossa filha e o resto do mundo lá fora. O meu marido igualmente ansioso, mas no tribunal. Podem passar 100 anos que não vou esquecer aqueles momentos.Sem ninguém, nunca tinha tido um bebé a meu cargo, a minha mãe muito longe e foi através do telemóvel que fui perguntando umas coisas à minha mãe.A bebé chorava. Tive de lhe dar de comer, dar banho, adormecer, mudar as fraldas. Mas tudo VALEU A PENA como diz. Muitas, muitas felicidades. Eu percebo bem cada palavra que escreve.

à Benedita quero esclarecer o seguinte:inscrevemo-nos em Outubro de 2001, mas a nossa assistente social só veio a nossa casa em Fevereiro de 2002 e estivemos com a psicóloga apenas em Maio. Digo apenas, porque me custou muito esperar aqueles meses, mas reconheço que foi rápido. No entanto, aconteceu que quando nos inscrevemos dissemos logo que queriamos ir para adopção internacional e explicou-nos a nossa asiistente social que por isso a fase da avaliação seria mais rápida. Nunca percebi porquê, mas a verdade é que aconteceu isso. Não estivemos à espera para ser avaliados e depois dizer que optariamos pela adopção internacional. Dissemos logo de início.

À Turandot:
Apesar de o nosso processo ter sido mais rápido que o habitual, não foi tudo facilidades e tivemos de lutar. Inicialmente começamos por fazer uma pesquisa na Internet e encontrámos um site Americao que tem informação sobre cento e poucos paises. Lemos tudo, fizemos uma triagem dos paises a que nos poderiamos candidatar. Por exemplo: A argentina não permite a adopção por estrangeiros que não tenham residido no pais durante 2 anos. Deste forma, tivemos de retirar os paises que não reuniamos os requisitos exigidos. A seguir, telefonei para as entidades competentes para saber se aceitavam processos de adopção com Portugal. Naquela altura, havia muitos que não aceitavam, pois Portugal assinou a convenção internacional de adopção, mas ainda não a tinha rectificado. Neste momento, já está rectificada.Depois disso, como sou advogada enviei um fax à ordem dos advogados em Lisboa a solicitar o contacto telefónico da ordem dos advogados dos paises possiveis.Queriamos contratar um advogado nesse pais, para que não estivessemos desamparados e houvesse alguém a acompanhar a situação. A ordem dos advogados responde-me e começo os telefonemas. A lista vinha por ordem alfabética e Cabo Verde vinha em 2º lugar. Atenderam-me, passaram-me à propria Bastonária, expliquei quem era, o que se passava e ela aceitou ficar connosco. Entretanto, aguardavámos o final da avaliação. Quando tudo terminou o processo foi remetido pelo Centro a que pertencemos para a Direcção Geral da Acção Social, Organismo Central em Portugal, que por sua vez remeteu para o Instituto de Menores de Cabo Verde que fez as suas diligências, remetendo posteriormente para o Tribunal Judicial. Fomos chamados e ouvidos em Tribunal por 2 vezes.Foi terrível pois fomos lá 2 vezes. Tivemos de deixar a nossa bebé e voltar mais tarde. Fiquei muito doente com uma intoxicação. Coisa que voltou a acontecer na 2ª vez!!!!! Não foi fácil esta espera. Depois fomos nós que tivemos de tratar de uma série de coisas: levar a bebé a uma pediatra, fazer análises, análise ao HIV, tratar do passaporte, viagens, visto na embaixada portuguesa. Enfim... uma série de situações. Mas eu voltava a passar por tudo outra vez!!!!!

Em Cabo Verde não há Instituições como em Portugal. Existe o hospital, a Cruz Vermelha e muitas crianças estão com familiares até serem adoptadas. O Instituto de Menores de Cabo Verde não é uma Instituição de crianças, corresponde à nossa Direcção Geral da Acção Social.

Uma última informação que poderá ser útil para quem quiser, entre Portugal e Cabo Verde, bem como também com São Tomé e Principe existe um acordo em que as sentenças proferidas num destes paises produz efeitos no pais contrário sem necessidade de haver revisão de setença estrangeira. Eu acho que cada caso é um caso. Mas acho muito importante ter-se um apoio no outro pais. Estamos completamente sózinhos e todos nós sabemos como estamos emocional e psicologicamente e em cima disto ter de ter a frieza de espirito para tratar de uma série de coisas não é fácil. Da experiência que tive acho que é muito importante dominar muito bem a língua do país para onde se vai.É claro que um processo destes implica algum dinheiro: são as viagens, a estadia, o médico e o advogado.

Espero ter ajudado e ter esclarecido algumas dúvidas. Quaisquer esclarecimentos mais quer de natureza jurídica, quer de outra natureza, estou aqui para dar. Neste momento estamos a estudar 2 realidades: o Brasil e a Lituânia e ver qual a viabilidade. Como agora é possível tentar tanto a adopção nacional, como a internacional, tentamos as 2 em simultâneo.

Um bem haja a todos e o meu muito obrigado de me terem trazido até vós.

Maria Joana


Afixado por: Maria Joana em julho 2, 2004 01:09 AM

maria joana
Já comprei o Livro as Cores de Mateus achei-o muito interessante...
O meu filho que tem 4 anos esta numa fase que tenta negar para ele mesmo o facto de ser adoptado...Lemos uma vez o livro, mas não quis voltar a le-lo outra vez!
Deixei o livro na prateleira dos livros..sei que um dia mais tarde ira pegar nele e de mansinho me pedira para eu voltar a le-lo.
A preposito das cores, minha filha diz-me uma coisa que eu acho uma ternura:
- Diz que eu tenho a minha pele branca como a dela as bolinhas castanhas cor da pele do mano. (eu tenho muitos sinais nos braços)- Resumindo sou branca pintalgada de castanho.

Afixado por: Alexandra em julho 5, 2004 01:04 AM

Olá Alexandra
Porque será que os filhos " adoptados " nunca querem ser " adoptados " mas sim e sempre filhos " biológicos " ?? Será que nos amam tanto que acham que sendo " biológicos " seriam mais filhos por isso ?? E por mais provas que lhes demos que os amamos tanto ou mais se " biológicos ", porque insistem nisso ? Acho tema deveras interessante. Com certeza que será o factor cultural a entrar aí, nem que mais não seja, a pressão do inconsciente colectivo nas cabecinhas deles.... comecemos nós a mudar esse inconsciente, esse factor cultural, é um processo lento, claro, mas não vale a pena ?? Se vale..........

Maria Van Dijk

Afixado por: Maria van Dijk em julho 5, 2004 06:37 PM

maria, acho interessante a questão que colocas. fez-me formular a seguinte questão: será que os filhos adoptados não se esquecem que são adoptados? numa fase inicial é possível que o exterior ou a envolvente faça lembrar que ele/ela é adoptada. mas com o tempo parece-me que a família e o/a própria se esqueça que é adoptado, depois a envolvente também. estou convencida, e espero que assim, que o facto de ser adoptado/a se esqueça. a não exposição de crianças adoptadas em encontros com o de peniche será desconselhável?não sei até que ponto o menino mais velho, lindo e carinhoso, presente no encontro não terá se sentido encomodado - não sei é a palavra certa- eu ficaria...
a partir de uma certa altura o facto filho adoptado não deixará de fazer sentido? espero que sim...

Afixado por: turandot em julho 6, 2004 12:08 AM

Olá turandot,
Eu já havia pensado nisso, se esses encontros que nós falamos em promover, não irão reforçar precisamente essa "diferença", ou seja, de serem, eternamente, chamados de "filhos adoptados/adoptivos", e eu sou radicalmente contra tal denominação ( mesmo que a use ), uma vez que filho é filho e ponto final. Por acaso alguém se dá ao trabalho de dizer/chamar "filhos biológicos" aos que o são????

Maria van Dijk

Afixado por: Maria van Dijk em julho 6, 2004 12:09 PM

Eu nunca usei o termo adoptado quando falei aos meus filhos. No entannto sei que aos poucos terei que introduzir a palavra, pois mais tarde ou mais cedo a sociedade os fará confontar com essa denominação.
Quanto aos encontros, acho que tal como eu me sinto confortavel por vos ter encontrado, penso que algures na adolescencia, o meu filho tambem se sentira confortado por ter outros meninos com as mesmas vivencias e medos com quem se trocar uma palavra amiga. Eu tambem quero acreditar que um dia a criança esquece...Mas sinceramente acho que não esquece, nem nós nem eles. Nós por amor desmedido e pelo medo (mesmo que inconsciente) da perda, e eles por ?? Não conheço sinceramente neuhuma criança com 8-10 anos que seja adoptada e que tenha esquecido totalmente o assunto, aprende é a viver com a sua historia e com a sua realidade.

Afixado por: AlexandraP em julho 6, 2004 12:21 PM

alex,
não será que os encontros de filhos adoptados será uma forma de manter/perpectuar a diferença? espero que a minha futura filha na sua adolescência não sinta a necessidade de participar neste tipo de encontros. que acredito que não fazem sentido. porém o tempo dirá...são nossos filhos e ponto final. quanto a sociedade ou a comunidade também se interroga enquanto é novidade, depois disso esquecem...não será assim? o problema não será antes nosso, que perpectuamos a diferença? um filho biológico também ir embora, quantso vão...

Afixado por: turandot em julho 6, 2004 12:41 PM

Olá a todos

Fiquei muito contente por ler o testemunho da Maria Joana. Que experiência !
Nós estamos inscritos, aprovados e "carimbados" na Segurança Social de Lisboa. Como não escolhemos qualquer etnia, avisaram-nos que teríamos 90% de hipóteses de receber uma criança de etnia negra. Para nós essa questão nem se coloca. Por enquanto decidimos não ir para a adopção internacional mas será um caso a pensar. Vejo que consigo funcionou muito bem (apesar de todo o trabalho inerente, claro.)
Apareça por aqui para contar mais coisas ...

Um grande beijinho
Sil

Afixado por: Sil em julho 6, 2004 07:43 PM

Quanto a encontro de cianças adoptadas, acho que não faz sentido. Agora as crianças terem a possibilidade de conhecerem outras situações como a delas isso acho mesmo importante. Mas eu antes do meu filho chegar á idade das perguntas tambem pensava como voçes...Acho que são problematicas que só a vivencia das situações nos faz pensar e sentir de outra forma.

Afixado por: AlexandraP em julho 6, 2004 09:30 PM


Li agora o seu comentário e lembrei-me um pouco da minha história... fui à primeira entrevista na segurança social no dia 23 de Janeiro de 2002 e passados 6 meses fui buscar o meu "anjo" à maternidade... eu nem queria acreditar... 6 meses... sei que sou a excepção que confirma a regra... perguntei o porquê da rapidez e disseram-me que esta se devia ao facto do meu filho ser de raça negra... ainda bem!!!! Bendita raça!!!
Não sei o que é ter um filho na barriga mas sei o que é ter um no coração, na cabeça, enrolado nos meus braços, pendurado no meu pescoço... concordo consigo, não trocava o meu "anjo" por gravidez nenhuma.

Beijos,
graciete

Afixado por: graciete em julho 13, 2004 12:27 PM

olá a todas!
desculpem a pergunta idiota. talvez seja porque esta noite dormi apenas quatro horas e estou a fazer uma pausa no trabalho que estou a fazer de que estou farta...a pergunta é seguinte: ao que chamais vós uma criança de raça negra? porque tendem chamar às crianças mulatas/mestiças negras? os vossos filhos do coração são mulatos ...pelo menos da maioria. ou estou enganada? uma criança mulata ou mista tem tanto de branca como de negra....ou não será assim...porque rotulá-los como sendo de raça negra ou preta...acreditem que para os negros,puros, eles, os mulatos, são vistos como não sendo da raça deles, mas sim de raça branca...acreditem que isto é verdade.

na minha opinião não são brancos nem negros...são mistos/hibridos/mulatos.
Ao que se chamara a uma criança filha de um chinês com um europeu? de raça chinesa?

DESCULPEM-ME POR VOS COLOCAR ESTA DÚVIDA AINDA QUE, TALVEZ, FILOSÓFICA...

mestiço: "aquele que é proveniente de pais de raças diferentes; o mesmo que misto, híbrido, mulato"
vou voltar ao trabalho...

Afixado por: turandot em julho 13, 2004 03:52 PM

Turandot

Eu falo apenas por mim, sei por registo que ambos os progenitores do meu filho eram africanos. Agora que em Cabo-Verde, Angola e Mocambique há muitos mestiços isso há. E com a globalização daqui a um ou dois seculos seremos certamente todos mestiços!

Afixado por: AlexandraP em julho 13, 2004 10:19 PM

Eu sei de dois casos de adopção relampago, que demorarm menos de 3 meses relativamente a bebes mestiços. Mas também há casos como o da Sil que mesmo esperando por uma criança de qualquer etnia já espera há algum tempo. Penso que o tempo que demora um processo de adopção depende também do factor sorte (ou do designio de Deus , sei lá) !

Afixado por: AlexandraP em julho 13, 2004 10:24 PM

Querida Joana,

Fiquei arrepiada pelo que escreveu, e como mãe mista digo do fundo do coração que não diferencio os meus filhos, amo-os incondicionalmente, valeu a pena o sofrimento e a espera, só para o ter nos meus braços.
As todas futuras mamas, não desistam!!
Ter um filho é acoisa mais gratificante que existe, não há palavras para descrever o que sentimos.
Ás mamas, um bem haja a todas e muitas felicidades para os pequerruchos.

Beijocas
Taly

Afixado por: Taly em julho 14, 2004 07:02 PM

Acabo de ler a sua história e gostava muito de trocar impressões consigo sobre o processo, visto estarmos a dar início a um processo de adopção internacional também para Cabo Verde. Gostaríamos de ter mais pormenores sobre como as coisas decorrem.

Se estiver interessada nisso, poderá contactar-me para o meu endereço de correio electrónico.

Obrigada,

Sofia

Afixado por: Sofia em julho 20, 2004 04:40 PM

sofia, em princípio também optarei por CV assim que tiver o meu processo aprovado. estive a falar com a dr. graça ribeiro da adopção internacional que me disse o seguinte que me parece importante:
- ter alguém no pais de origem que nos possa ajudar no andamento do processo, a figura do advogado é a ideal. ao que parece as duas instituições que tratam da adopção em CV não interagem, portanto é preciso alguém lá para as mobilizar; senão os processos demoram anos...com esta figura as coisas correm lindamente. o problema nestes casos são apenas os custos que isso implica, ao que parece não é assim tão pouco. a acrescer ainda as viagens, estada e alimentação em CV para nós. pelo menos duas vezes teremos nos deslocar ao pais...
boa sorte. vá dizendo coisas...

Afixado por: turandot em julho 20, 2004 09:03 PM


Sofia, eu já respondi para o seu email pessoal. No entanto, adianto que tudo o que a Dra Graça Ribeiro disse à Turandot, passou-se comigo.

A questão do advogado, é que em Cabo Verde a lei obriga mesmo à constituição de advogado para o processo de adopção, para lá de todo o apoio que temos.

A vida lá é cara, é também uma verdade.

Quanto ao ir lá 2 vezes, comigo teve de ser, mas não necessariamente. Conheço outro casal que resolveu tudo em 2 semanas e que não teve de voltar. Depende das ilhas.Depende do juiz que está à frente do processo. O meu processo e o deles correu quase em simultâneo e teve diferenças.

No meu processo quando o tribunal solicitou ao Instituto de Menores o relatório, este não levou muito tempo. Talvez porque eu tinha advogada.

Se pretender falar comigo, ligue-me para o meu telemóvel que eu ajudo em tudo o que puder.

Força e muitas felicidades.

Maria Joana

Afixado por: Maria Joana em julho 21, 2004 12:20 AM

Fiquei encnatada com as suas palavras doces.
Temos problemas de infertilidade, já fiz duas microinjecções, falhadas...
Foi sobretudo animador, estamos apensar adoptar uma criança, assim que nos deixem, iniciar o processo... E temos muitas dúvidas... enfim gostei muito do seu testemunho...bem haja...

Afixado por: Filomena em setembro 2, 2004 04:22 PM

Li o seu testemunho e revi-me nele. Depois de desde muito nova ter pensado em adopção deparei-me com um problema de infertilidade que ainda tentámos resolver. Ao mesmo tempo candidatámo-nos à adopção. Esperámos 3 anos para que a nossa candidatura fosse aceite mas depois foram só 6 meses até termos a nossa filha. No momento em que a vimos (penso que mesmo antes) ficámos conquistados. A minha filha foi adoptada em Portugal mas as origens dela estão em Cabo Verde. A minha mãe diz que a neta é o chocolatinho dela. Tens uns olhos lindos e um sorriso que cativa toda a gente. A partir do momento em que ela entrou na nossa vida desistimos de qualquer tentativa de gravidez...não faz sentido! A M. é nossa filha, não a amariamos mais se fosse biológica.
Se não fossem os olhares de curiosidade, com que somos presenteados sempre que entramos em qualquer lugar publico, às vezes nem me lembraria que tem uma cor diferente da nossa.

Sobre a questão do encontro de crianças adoptadas não me parece que tenha grande lógica mas sinto que no futuro seria importante a minha filha ter contacto com outros meninos que como ela foram adoptados por um casal branco. Às vezes é bom sentirmos que não somos os unicos. Foi pelo menos isso que senti quando passei pelo problema da infertilidade.

Afixado por: Margarida em outubro 21, 2004 08:27 PM

Margarida

O I encontro de Candidatos à adopção e Pais Adoptivos decorreu no passado dia 16 em Setubal. Contamos com 94 adultos e 15 crianças, dentro dessas crianças havia as adoptadas e as biologicas. As crianças bricaram todo o dia, longe das preocupações, dos discursos e dos desabafos dos adultos. Os meus filhos tinham dois amigos no grupo, que aproveitaram para rever. Nâo foi de maneira alguma promover um encontro de meninos adoptados. Mas eu fico feliz por um dia eles terem amigos que passaram por experiencias semelhantes à deles. O meu filho que tem hoje 4 anos, também tem origens cabo-verdianas e para nós tem sido muito bom conhecer outras familias multi-raciais.

Afixado por: AlexandraP em outubro 21, 2004 09:50 PM


Só quem vive bem consigo próprio e com o mundo consegue falar assim. Vê-se que é uma pessoa maravilhosa, desejo-lhe toda a felicidade do mundo.
Adlisa Delgado

Afixado por: Adlisa Delgado em novembro 9, 2004 12:15 PM