dezembro 06, 2004

DESABAFOS E DESAFIOS PÓS I ENCONTRO DE CANDIDATOS E PAIS ADOPTIVOS EM SETÚBAL

1. Agradecimentos

Antes de mais gostaria de agradecer, ainda que tardiamente, à AlexandraP pela organização da logística que permitiu a realização deste encontro; sem essa mobilização de recursos não teria sido possível…; à Cáritas nomeadamente ao Dr. Álvaro Quintas pela disponibilização do espaço e pela organização do almoço e mobilização das senhoras que tomaram conta dos pimpolhos presentes; à todos os oradores e moderadores que tão gentilmente acederam ao convite para estarem presentes e, por fim, a todos os participantes; sem a vossa presença o Encontro não teria feito qualquer sentido – afinal o encontro tinha como principais destinatários os candidatos à adopção e os pais adoptivos.

Queria ainda agradecer a presença da responsável pela Segurança Social do Arquipélago da Madeira que apareceu no encontro não como responsável desse serviço, mas como uma mãe adoptiva, dando um testemunho muito positivo sobre a sua experiência. Desculpem-me os outros por não fazer uma menção específica, mas não queria deixar de ressalvar a atitude desta senhora.

Foi pena que os técnicos dos serviços distritais não estivessem presentes; permitir-lhes-ia ficar talvez com uma visão diferente dos candidatos e dos pais adoptivos. Parece-me importante que os técnicos contactem com situações diversificadas, que contactem com as expectativas, as necessidades, os receios, etc. de candidatos e pais adoptivos, em contextos diferentes das situações de avaliação.

Bem hajam todos, oradores, moderadores e candidatos e pais adoptivos que foram ao encontro provenientes de muitos pontos do país, sem que a distância tivesse tido grande importância.

Balanço do encontro

O número de pessoas presente excedeu claramente as nossas expectativas. Inicialmente estávamos convencidas que não teríamos tanto quórum, mas felizmente as inscrições apareceram com a proximidade do encontro. Ainda bem que a ideia de se organizar algo mais formal e mais alargado foi posta em prática. Bem-haja à Dina que organizou o primeiro almoço de candidatos e pais adoptivos que teve lugar neste verão em Peniche. Sem este primeiro almoço a que se seguiu um outro em Setembro na Foz do Arelho, não se teria identificado a necessidade de se organizar algo diferente…. Foi sem dúvida um ponto de partida para uma longa caminhada até que se possa fazer um balanço bem mais positivo do que a situação actual.

A adesão dos convidados (oradores e moderadores) também foi excelente. Face à informalidade da organização os resultados foram excelentes, isto é, conseguiu-se ter na mesa individualidades que assumem responsabilidades estruturantes no sistema de adopção em Portugal: o Dr. Vilas Boas enquanto presidente da Comissão de Acompanhamento à Nova Lei da Adopção, a Dra. Helena Simões, coordenadora dos serviços de adopção, a Dra. Fernanda Salvaterra, coordenadora do Serviço de Adopção da Segurança Social de Lisboa, o Dr. Francisco Carvalheira representando a COLO, o Paulo Simões criador do BLOG – não nos esqueçamos que sem este instrumento não teríamos com certeza organizado este e os encontros anteriores; este foi um veículo importante a três níveis: no relacionamento alargado entre candidatos e pais adoptivos, na divulgação do encontro e na mobilização dos participantes para o mesmo. Assim como os testemunhos de país adoptivos (Margarida Martins, António Neves e Maria João Louro) que nos podem, a todos os níveis, servirem de exemplo pela singularidade de cada caso.

Foram abordados temas muito diversificados, embora muito outros tenham ficado por abordar, mas como se diz Roma e Pavia não se fizeram num só dia. Os conteúdos das intervenções de uma maneira geral foram ao encontro das expectativas de todos os participantes, suscitando reacções muito diversas na assistência. A emoção felizmente que foi uma presença no encontro, proporcionada pelos testemunhos da Margarida e do António. Acredito que as lágrimas não tenham apenas surgido nos olhos destas duas pessoas. Apesar de alguma desordem na participação da assistência, que se traduziu muitas vezes num desenquadramento entre o tema da mesa e as intervenções da assistência, estas revelaram-se importantes para a consolidação das intervenções dos oradores e resposta às dúvidas, expectativas, etc. dos participantes. Por outro lado, da activa participação dos participantes ressalva-se a necessidade, a vontade das pessoas contarem a sua história, de partilharem as suas ansiedades, as suas angústias, as suas vitórias, as suas emoções, os seus sentimentos, …etc. É um bom indicador para a organização de futuros encontros de candidatos e pais adoptivos.

O encontro permitiu ainda a divulgação de uma forma mais alargada da Associação COLO, apesar de muitos já terem ouvido falar dela, não era do conhecimento geral os seus objectivos e serviços que serão disponibilizados aos candidatos e pais adoptivos.

O contacto com o rosto do BLOG também foi importante para todos, bem como a partilha da forma como o BLOg surgiu, dos problemas que tem tido, das expectativas, das mais valias e dos desencantos que foram surgindo ao longo do seu funcionamento. Só assim nos é possível compreender os altos e baixos deste sítio que ainda é único e onde podemos expor as nossas dúvidas, ansiedades, descobertas, etc. embora para quem chega de novo não seja fácil encontrar a informação que necessita.

A criação de um instrumento de observação da adopção em Portugal sobre diferentes prismas também me pareceu e continua a parecer estruturante para a adopção em Portugal, embora, como defendi, deverá estar sub a chancela institucional, integrando igualmente outros parceiros institucionais, por forma a credibilizar o instrumento e a informação por ela produzida.

A divulgação de um novo serviço da SS que coordena os serviços distritais da adopção, sob a responsabilidade da Dra. Helena Simões mostra-nos que alguma coisa está a mudar nos serviços de adopção. A coordenação dos serviços é importante a vários níveis, nomeadamente para a homogeneização dos procedimentos a nível nacional e para a identificação das disfuncionalidades dos serviços: a necessidade de formação dos técnicos foi uma das problemáticas apontadas.

A comunicação social deu-nos alguma visibilidade, nomeadamente o Diário de Notícias.

Desafios de um futuro próximo

Por fim, este I Encontro de Candidatos e Pais Adoptivos deverá ser entendido apenas como um ponto de partida para a construção de algo mais sólido no sentido da consolidação do Sistema de Adopção em Portugal que a meu ver parece estar a dar os primeiros passos.

Neste contexto, o passo seguinte parece-me ser reflectir sobre os principais desafios que se colocam à adopção em Portugal e formalizar uma espécie de diagnóstico estratégico orientador das acções a tomar pelos diferentes intervenientes no processo de adopção (candidatos a adopção, pais adoptivos, serviços públicos da adopção, movimentos associativos, etc.).

Neste objectivo, de identificação de problemas e desafios que se colocam à adopção em Portugal e as acções a mobilizar/implementar, a sociedade civil, isto é, os candidatos e pais adoptivos e o movimento associativo, deverão assumir um papel estruturante. As mudanças no sistema da adopção em Portugal não passarão apenas por acções dos serviços que o protagonizam: a comissão de acompanhamento da nova lei, encabeçada pelo Dr. Vilas Boas e a criação do serviço que coordena todos os serviços distritais, coordenado pela Dra. Helena Simões, são um passo nesse sentido. O ciclo só se completa com a produção de resultados da outra parte; da parte de quem beneficia desses serviços (candidatos e pais adoptivos). Dito de outro modo, a mobilização organizada e conjunta ou colectiva dos candidatos e pais adoptivos é fundamental para a mudança dos status quo instalado.

No âmbito do observatório que me propôs lançar e que depois de uma reunião recente com a COLO que o irá integrar, proponho-me organizar um grupo de trabalho que terá como objectivo identificar os principais problemas e desafios que se colocam à adopção em Portugal e identificar orientações/recomendações que possam contribuir para a mudança do status quo existente.
Neste sentido lanço aqui o repto a quem quiser integrar este grupo de trabalho. Este grupo de trabalho terá um número limitado de pessoas e implicará a participação em reuniões a agendar e a realização de algum trabalho de pesquisa. Numa fase mais adiantada contará com a colaboração de “conselho consultivo” da COLO que integra personalidades de várias áreas que ajudarão a consolidar o resultado deste grupo de trabalho. E numa fase posterior poderá ser equacionada a partilha pública dos resultados segundo um modelo ainda a desenhar.

Já me alonguei bastante. Espero as vossas reacções e contributos.

PEÇO-VOS ENCARECIDAMENTE QUE NÃO COLOQUEM NESTE POST COMENTÁRIOS E INFORMAÇÕES QUE NÃO TENHAM DIRECTAMENTE QUE VER COM O SEU CONTEÚDO.

Bem hajam.
Filomena Faustino. Candidata Singular à Adopção.

Publicado por PauloS em dezembro 6, 2004 01:01 AM
Comentários

Cara Filomena,
Somos duas finalistas do curso de jornalismo e estamos a fazer um trabalho académico sobre a nova lei de adopção. Tomámos conhecimento de que criou um observatório sobre o tema e gostariamos de saber como aceder a ele, seria muito útil para o nosso trabalho.

Afixado por: Andreia Rodrigues em dezembro 9, 2004 04:44 PM

Olá Filomena,

Já enviei um mail, mas fica também aqui expresso o meu interesse e vontade em fazer parte do grupo de trabalho para o observatório Português da adopção. Como sou da zona da Grande Lisboa, ao nível de contactos com entidades desta zona e qualquer tipo de pesquisa penso poder oferecer uma boa contribuição.

Obrigado.

Afixado por: Sandra Cunha em dezembro 10, 2004 08:48 PM

Filomena,

Parece-me de facto importante envolver os candidatos e pais adoptivos na discussão activa da problemática da adopção. Como vivo em Braga não me ofereço para integrar directamente o grupo, mas disponibilizo-me para ajudar no que for necessário (contactos, pesquisa, divulgação...).

Parabéns pela sua iniciativa.

Cristina

Afixado por: Cristina Machado em dezembro 12, 2004 06:13 PM

obrigada cristina pelo apoio. darei mais notícias assim que lançar o primeiro encontro de discussão. infelizmente a adesão não tem sido muita. mas com as pessoas que já aderiram à iniciativa já se pode avançar. o que é preciso é fazer-se algo e não estar à espera simplemente que a situação mude...

filomena

Afixado por: filomena em dezembro 14, 2004 09:44 PM

Olá neste novo ano.
Sou a Paula, a quem foi arquivado o processo por não podermos adoptar na China.

Alguém me pode dar notícias sobre o observatório e sobre a Colo? Se me puderem enviar endereços e contactos para o meu email, agradeço.

Bjinhos para todos
Paula

Afixado por: PaulaP em janeiro 4, 2005 07:40 PM

sffdf

Afixado por: turandot em janeiro 7, 2005 11:24 AM