fevereiro 14, 2005

Portugal legaliza agências internacionais de adopção

Responsáveis do sector surpreendidos com a autorização dada pelo Governo

Nas cerca de 400 instituições portuguesas que acolhem menores em risco, há mais de 16 mil crianças à espera de uma família

O Governo concedeu a duas associações estrangeiras privadas a possibilidade de exercerem em Portugal uma actividade mediadora em matéria de adopção internacional. Os principais responsáveis que trabalham na área foram apanhados de surpresa, dizendo desconhecer as entidades autorizadas e a forma como foram seleccionadas.

"Não sei de nada", disse ao DN Luís Villas-Boas, presidente da comissão que acompanha a aplicação dos novos diplomas da adopção, em vigor desde 2003 - garantindo "não imaginar que na calha estivesse a aprovação de tal medida".

Também Dulce Rocha foi apanhada de surpresa. A presidente da Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens em Risco (CNPCJR), em declarações ao DN, reconheceu desconhecer as portarias publicadas dia 10 no Diário da República, onde se autoriza a instalação, em Portugal, da DanAdopt, associação estrangeira de direito privado sediada na Dinamarca, e da Bras Kind, com as mesmas características, sediada na Suíça. Dulce Rocha escusou-se a fazer mais comentários sobre o assunto, confirmando que a CNPCJR nunca foi ouvida sobre a promulgação daquelas autorizações.

Para a provedora da Misericórdia de Lisboa, trata-se de uma medida que "é de aplaudir". Maria José Nogueira Pinto disse ao DN que conhecia já a intenção de a DanAdopt e a Bras Kind se instalarem em Portugal, destacando a credibilidade de ambas as instituições. "A mediação internacional foi uma questão presente no decorrer da alteração à lei da adopção", explicou.

Se para a provedora esta legalização corresponde aos efeitos da nova lei, para Villas-Boas "Portugal não precisa, por enquanto, da mediação internacional", lembrando que, enquanto presidente da comissão que pensou a alteração dos diplomas, defendeu que esta questão, devido à sua complexidade, fosse "deixada para outra legislatura". Segundo as suas palavras, "a mediação internacional seria uma matéria a discutir mais tarde, numa segunda fase, com todos os responsáveis do sector".

A primeira fase corresponde à criação de condições para que a nova legislação seja aplicada. Garante Villas-Boas que ainda se está longe desse desiderato, lembrando que está por concretizar, nomeadamente, o levantamento de todas as crianças adoptáveis em Portugal. "A Segurança Social disse que o faria até Dezembro de 2004. Agora prorrogou o prazo para Março de 2005", explicou. Por outro lado, é também inexistente uma base de dados com todos os candidatos à adopção. Isto devido a desentendimentos entre a Comissão Nacional de Protecção de Dados Pessoais e o Ministério da Segurança Social, Família e Criança (MSSFC). "A comissão discorda da aplicação informática proposta pelo ministério", revelou o também director do Refúgio Boim Ascensão.

Nas cerca de 400 instituições que acolhem menores em risco, incluindo as famílias de acolhimento, existem cerca de 16 mil crianças. Mas, segundo Villas-Boas, nem todas são adoptáveis. "Há algumas que poderão, e deverão, integrar-se nos seus lares naturais." Uma outra questão é a de saber quantas crianças vivem actualmente em risco no seio das próprias famílias, exigindo serem institucionalizadas ou adoptadas. "Este é um mundo ainda por desbravar", frisou. Em sua opinião, deveria acabar-se com as famílias de acolhimento profissionais. "As crianças estão com uns 'pais' dois ou três meses e depois são levadas. Ou seja, são abandonadas duas e ou mais vezes."

Neste sentido, considera que, antes de se pensar em mediação internacional em matéria de adopção, deveria antes "arrumar- -se a casa", frisando "Há cerca de 2800 casais portugueses, ou seja, 5600 braços à espera de acolher uma criança."

Para Villas-Boas, "em matéria de acolhimento de crianças em risco, Portugal tem pouco a aprender com os parceiros europeus". O problema é que "há ainda muito trabalho para fazer e não está a ser feito".

Segundo a portaria do DR, a Bras Kind - Familien fur Kinder é uma associação de direito privado sem fins lucrativos com sede em Dubendorf, na Suíça, constituída em conformidade com o direito interno daquele país. De acordo com os estatutos, tem por objectivo promover a adopção de crianças abandonadas e órfãs, mediante a manutenção de um centro de contactos e intermediação, e prestar apoio financeiro a menores.

A DanAdopt - Sociedade Dinamarquesa de Apoio Internacional à Criança é também de direito privado, sem fins lucrativos, desenvolvendo a sua actividade na prestação de assistência a crianças, nomeadamente na área da adopção internacional, desenvolvendo a mediação relativamente a candidatos residentes na Dinamarca aprovados para adopção de crianças no estrangeiro. Estas duas instituições candidataram-se ao exercício da actividade em Portugal.

O DN pediu ao MSSFC um esclarecimento sobre este assunto, mas a tutela informou que tal só será possível na segunda-feira.

licínio lima* Arquivo DN-Alexandra Silva

Publicado por PauloS em fevereiro 14, 2005 09:04 AM
Comentários

Será que podemos ver nesta notícia uma luz ao fundo do tunel???

Seria tão bom!!

Sandra Almeida

Afixado por: Sandra Almeida em fevereiro 14, 2005 10:27 AM

sandra!
infelizmente estas agências segundo ouvi dizer são apenas para mediar a adopção de candidatos dinamarqueses e suiços de crianças portuguesas.

relativamente à adopção internacional por candidatos portugueses só se pode contar com a Direcção Geral de Segurança Social.
portanto estamos quase na mesma. infelizmente ainda nenhuma IPPS ousou entrar nesta área de intervenção.
teremos que aguardar ainda...
turandot

Afixado por: turandot em fevereiro 14, 2005 02:41 PM

Olá ... um amigo meu, duma associação, conseguiu uma entrevista, em que vai falar sobre "Vender crianças em Portugal" !! Ele tem alguns dados, mas se quiserem dar mais, visto que de certeza que são contra isso, e vai-se abordar tanto o "vender ilegal", como de "formas legais" , digamos ( acho que compreendem ) podem mandar-me um mail para filho_espancadoARROBAsapo.pt ... Se alguem quiser manter anonimato, digam.. Ou se quiser dizer como se faz isso, ou criticas etc, digam. Pelas crianças, vale tudo.. Acho que fui explicito, mas se o editor do blog quiser, pode editar. Pai ( já agora c / filho, mas parece que tenho que o adoptar para ver se o vejo e salvo-o )

Afixado por: Pai.. blog em fevereiro 25, 2005 10:01 AM

Acho que escuso de explicar, porque é isso importantissimo.... força, e enviem.

Afixado por: Pai.. blog em fevereiro 25, 2005 10:07 AM

nao escrevo para comentar.
escrevo para pedir ajuda, gostaria de adoptar uma crinca estrangeira e nao sei onde me devo dirigir
sera que me podem ajudar?
gostari de adoptar uma crinca russa ou chinesa, e nao sei como. gostaria da vossa ajuda para me orientarem

obrigado

Afixado por: celia em fevereiro 27, 2005 11:52 PM

Bom dia a todos,

quem lê este artigo fica com a sensação que as coisas estão mais fáceis. Puro engano.
Ao fim deste tempo todo (Dezembro até hoje) recebi finalmente resposta do CCAA a informar que NÓS (PORTUGUESES) não podemos realmente adoptar na China. Pelo menos tentei...
Força a todos aqueles que como eu só querem uma criança para poder amar...
Sandra

Afixado por: Sandra Almeida em março 3, 2005 12:53 PM

acerca deste tópico vai passar hoje na TVI uma reportagem no jornal da noite.
não sei bem porquê mas acho que eles ainda sabem menos que nós - pelo menos a publicidade à reportagem é muito enganosa... como se fosse possível adoptarmos em qq país (china incluída) qd apenas conseguimos neste momento adoptar nos Palops e, e... (nada garantido)
a ver vamos o que vai sair dali...

Paula

Afixado por: PaulaP em março 3, 2005 04:19 PM

Peço desculpa, o tópico é a adopção internacional e não as agencias estrangeiras... para ficar mais claro!

Paula

Afixado por: PaulaP em março 3, 2005 05:11 PM

Peço desculpa, o tópico é a adopção internacional e não as agencias estrangeiras... para ficar mais claro!

E Sandra, infelizmente, já suspeitavamos que assim seria, não é? Um dia as coisas vão mudar...

Paula

Afixado por: PaulaP em março 3, 2005 05:12 PM

È LAMENTAVEL QUE APÓS DE TER CONHECIMENTO DESTE SITE, SINTO MUITO TRISTE POIS VEJO QUE EXISTE MUITA GENTE NA MESMA SITUAÇÃO QUE EU, EM QUE A CANDIDATURA PARA A ADOPÇÃO DE UMA CRIANÇA FOI ACEITE MAS O PROCESSO NÃO ANDA NEM PARA A FRENTE NEM PARA ATRÁS, ACHO QUUE É DE UMA IMERSIA TOTAL, MAS LAMENTAVELMENTE É O PAÍS QUE NÓS TEMOS.
EMBORA ALGUMAS PESSOAS FAÇAM PARA ALTERAR ESTA SITUAÇÃO.

Afixado por: Crsitina Vaz em março 8, 2005 11:32 PM

È LAMENTAVEL QUE APÓS DE TER CONHECIMENTO DESTE SITE, SINTO MUITO TRISTE POIS VEJO QUE EXISTE MUITA GENTE NA MESMA SITUAÇÃO QUE EU, EM QUE A CANDIDATURA PARA A ADOPÇÃO DE UMA CRIANÇA FOI ACEITE MAS O PROCESSO NÃO ANDA NEM PARA A FRENTE NEM PARA ATRÁS, ACHO QUUE É DE UMA IMERSIA TOTAL, MAS LAMENTAVELMENTE É O PAÍS QUE NÓS TEMOS.
EMBORA ALGUMAS PESSOAS FAÇAM PARA ALTERAR ESTA SITUAÇÃO.

Afixado por: Crsitina Vaz em março 8, 2005 11:32 PM

Olá
A quem me possa dar uma ajuda sobre as candidaturas internacionais de crianças.
Iniciei o meu processo de adopção de uma criança a cerca de 2 anos, mas como é mais que óbvio em Portugal os processos não andam e cada vez que se entra em contacto com o organismo em questão a resposta é quase sempre a mesma.

“ O seu processo foi aprovado, mas ainda estamos a distribuir crianças a candidatura do ano 1998….”

Como é desesperante quando se ouve uma resposta desta, e só se pensa que as pessoas que trabalham neste organismo são de uma inérsia por completo.
Foi então que me sugeriram a hipótese de uma candidatura a adopção internacional, mas tenho algumas duvidas a que Organismo governamental ou não me possa dirigir para iniciar novamente um processo de candidatura.
Espero que alguma pessoa me possa ajudar acerca deste assunto para tal indico o meu
E-mail se alguém quiser responder sandracristinabras@clix.pt

Obrigada
Cristina Vaz

Afixado por: Crsitina Vaz em março 9, 2005 11:38 PM